Governo anuncia início do projeto

postado por Aleile @ 12:09 PM
22 de junho de 2010

Projeto básico do primeiro BRT será iniciado até final de junho e obras começam em dezembro

Até o final deste mês o governo do Estado estará licitando a contratação do projeto básico da primeira linha do BRT Salvador. Anúncio e garantia da arquiteta Graça Torreão, superintendente de Planejamento e Gestão Territorial da Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Estado (Sedur). O projeto básico é fundamental para estabelecer os parâmetros para a execução da obra, que deverá ter sua implantação iniciada em dezembro próximo. “De posse do projeto básico, que será feito através da Sedur/Conder, o grupo que vencer a licitação posterior para a construção da obra elaborará o projeto executivo”, esclareceu Graça Torreão.

A primeira etapa do BRT abrange o trecho Aeroporto/Acesso Norte, aí integrado com o metrô que chega até a Estação da Lapa. O valor a ser aplicado é de R$ 570,31 milhões, sendo R$ 541,80 milhões financiados pelo BNDES. O restante é contrapartida do Estado. A autorização para o Estado tomar o empréstimo já foi aprovada pela Assembleia Legislativa.

A arquiteta Grace Gomes, diretora de Mobilidade Urbana e Interurbana da Sedur, esclareceu que a concepção geral do projeto BRT é da Prefeitura Municipal de Salvador (PMS), e integra o planejamento intitulado Rede Integrada de Transporte – RIT. “O Plano Diretor de Transportes já contemplava este projeto. A partir daí foi feito um plano funcional pela PMS em parceria com o Setps e elaborado pela empresa de consultoria de transportes TTC”.

Quando surgiu a necessidade de se investir num plano de mobilidade urbana para a Copa de 2014, o projeto BRT já estava pronto e foi acatado pela Fifa. O Estado, então, encampou esse projeto e fez alguns ajustes. “A primeira etapa prevê o trecho Aeroporto-Acesso Norte, mas a ideia do governo do Estado é dar seguimento ao projeto BRT, já nessa fase, dando-lhe abrangência metropolitana,acrescendo-lhe o trecho Aeroporto-Portão, já no município de Lauro de Freitas, trecho de obra que deve ser pleiteado junto ao PAC 2”, informou a arquiteta Grace Gomes. “A meta é contemplar os principais fluxos do transporte metropolitano e integrá-los com diversos modais de transporte”, explicou.

Rapide z e eficiência O arquiteto e coordenador da Diretoria de Mobilidade Urbana da Sedur, Caiuby Menezes, falou que a opção pela implantação do BRT em Salvador surgiu da necessidade de implantar um transporte de massa eficiente, rápido e livre de engarrafamentos, graças às linhas exclusivas e segregadas com barreiras físicas. Além disso, é um sistema que permite a integração com ramais alimentadores operados por ônibus de menor porte. “É um projeto que tem viabilidade econômica e cronograma factível para ser executado no tempo previsto, visando a Copa”.

Destacou ainda que, diferentemente do metrô e outras tecnologias importadas, o BRT não tem muito mistério, é uma tecnologia já testada e aprovada e, o mais importante de tudo, de origem brasileira. “O nosso sistema deverá ser um dos mais modernos do mundo, já incorporando os avanços de última geração surgidos mais recentemente no sistema implantado em várias metrópoles do planeta”.

Todos os projetos visando a preparar Salvador para abrigar jogos da Copa têm a coordenação geral da Secretaria Extraordinária para Assuntos da Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014 (Secopa).

Em função do gerenciamento dos projetos em torno do evento, foi criado um Comitê Gestor Unificado, com técnicos da Prefeitura de Salvador e governo do Estado, com sete grupos de trabalho de diferentes áreas.

Os caminhos do BRT

postado por Aleile @ 11:48 AM
22 de junho de 2010

Bem antes de Salvador ser escolhida como uma das sedes da Copa 2014, o projeto do sistema BRT estava sendo gerado por técnicos da Prefeitura e Setps

O projeto de um moderno sistema de transporte de massa integrado, de qualidade e alta capacidade, para a Grande Salvador não é de agora, como muitos imaginam. Ele vem sendo pensado, estudado, planejado, debatido e construído desde 2005,quando a Prefeitura montou um grupo de trabalho técnico sob a coordenação do arquiteto Francisco Ulisses Rocha, especialista em Planejamento e Gestão e Transportes Urbanos e atual chefe de gabinete da Transalvador. O primeiro produto desse trabalho foi a bilhetagem eletrônica, em uso, essencial para viabilizar a integração dos vários modais de transporte da cidade. “A ideia é chegarmos a um sistema multimodal e integrado, incluindo toda a Região Metropolitana”, explica o arquiteto.

Então, o primeiro passo para isso foi a criação do Salvador Card, já implantado. O estágio seguinte, que já começou, é a integração aberta, na formatação de uma rede entre as 400 linhas de ônibus da cidade. Assim, o usuário pode passar de uma linha a outra pagando uma passagem inteira no primeiro trajeto e meia passagem no segundo. Assim, os ônibus foram divididos por áreas com placas de cores diferentes: vermelha, verde, azul e amarela. A integração é feita passando de uma área para outra. Cor igual não vale. Então, você hoje salta em qualquer ponto da cidade e pega outro ônibus de cor diferente pagando apenas metade da tarifa, desde que não passe de uma hora. Tudo isso eletronicamente e em qualquer ponto da cidade.

A fase III foi outro avanço, com a criação do sistema conhecido como amarelinho, que trabalha nos bairros. O usuário pega um amarelinho com o cartão e paga metade da tarifa. Se for estudante, paga a metade da metade, ou seja, 25%. Então, pegando o amarelinho dentro do bairro paga-se a metade. E se depois, no trajeto, a pessoa pegar outro ônibus para chegar ao seu destino, também só paga a metade. Ou seja, o passageiro sai do bairro e pega dois ônibus para chegar ao seu destino e só paga uma tarifa.
No caso de estudante, ele vai pegar dois ônibus e só vai pagar meia tarifa. “Isso já tem dado uma flexibilidade maior ao sistema! É uma realidade, já está implantada para os que têm o Salvador Card. Mas, para o cidadão entender essa integração aberta, que envolve uma rede de linhas e que com o cartão ele pode fazer o transbordo em qualquer ponto da cidade, leva tempo. Porque isso implica numa mudança de cultura, até que todos os usuários passem a ter o cartão e a usar o sistema da maneira correta. Isso leva tempo”, pondera o técnico.

Escolha do BRT

Todas essas etapas vêm preparando o caminho para a chegada do sistema BRT, dentro de um plano de trabalho que envolve Prefeitura e Setps. E, mais recentemente, em função da Copa 2014, o Governo do Estado. Foram feitas pesquisas de velocidade média dos coletivos na cidade e constatou-se valores de até 9 km/hora, na Silveira Martins, e 10 km/h na Paralela no horário de pico. Há locais com velocidades baixíssimas, praticamente com os ônibus parados. Daí a necessidade de casar essa integração eletrônica com a solução e melhoria física de pontos críticos do trânsito na cidade. Esses estudos foram apontando para um sistema que resolvesse esses problemas.

“Concluímos que a solução é criar uma via exclusiva e segregada para os ônibus em determinados trajetos e fazer intervenções para eliminar os principais pontos de estrangulamento. Os objetivos são esses: priorizar um transporte de massa eficiente e desafogar os pontos críticos”, esclareceu Ulisses.

Em função desses encaminhamentos, no final de 2007, a equipe técnica da Prefeitura fez uma viagem a Bogotá, capital da Colômbia, onde foi implantado o Transmilênio (o BRT de lá) com ótimos resultados. Os técnicos andaram pela cidade, experimentaram, pesquisaram tudo do modelo, da operação e gerenciamento do Transmilênio. E, a partir dessa vivência, debruçaram-se na construção do projeto BRT Salvador, um sistema de transporte de massa rápido, moderno, de qualidade e com alta capacidade. Aí, já com a participação e parceria de técnicos do Setps. Nessa época, sequer se falava em Copa 2014 no Brasil.

“O primeiro passo foi definir quais os corredores que iríamos trabalhar para implantar o sistema. Vimos que o melhor sistema para a cidade era mesmo o BRT, e partimos para definir os principais corredores e fazer o projeto funcional. Foi por isso que, quando ficou decidido que Salvador seria uma das sedes da Copa, já estávamos com o projeto pronto. Mostrado, encantou a FIFA, que aprovou dizendo: o projeto é este”, relata Ulisses.

O projeto da Copa Foram selecionados 127 km de corredores principais para o BRT Salvador, que foram classificados
em três tipos, uma vez que a cidade é muito diversificada. O tipo 1 é totalmente exclusivo para os ônibus BRT, com 36 km. O 2 é misto, BRT e convencional. E o tipo 3 é totalmente aberto, misturado ao trânsito geral. Nos corredores tipo 1 vão rodar os ônibus BRT – especiais, climatizados, modernos, com estações próprias, piso elevado, pagamento de passagem antecipado. Esses corredores fazem um X e abrangem do Aeroporto ao Iguatemi e a Lapa, passando pela Av. ACM, Av. Juracy Magalhães. Outro pega a Calçada, San Martin, Retiro, Acesso Norte, ACM, Pituba e Itaigara. Esses corredores se integram ao metrô no Acesso Norte e no Retiro e aos trens suburbanos na Calçada.

Mas, segundo Francisco Ulisses, o que está até então aprovado e com financiamento já contratado é o corredor que vai do Aeroporto ao Acesso Norte/Estação Metrô, previsto para ficar pronto até o final de 2012, apto a entrar em operação para a Copa das Confederações que acontecerá em 2013.

Por uma melhor qualidade de vida

postado por Aleile @ 8:31 PM
21 de junho de 2010

Uma das grandes metas na implantação do sistema BRT é reverter prioridades no uso do transporte em Salvador e tirar o usuário do congestionamento

Isso normalmente acontece em todas as metrópoles do mundo quando se privilegia o transporte de massa de qualidade e alta capacidade, levando as pessoas que têm carros particulares a deixá-los nas garagens ou estacionamentos para usar os confortáveis veículos de massa dos novos sistemas implantados. E os que possuem carros particulares assim o fazem porque vão gastar menos em combustível e no desgaste do veículo; vão se sentir mais seguros – menor o risco de assaltos e de acidentes; e chegarão mais rápido aos seus destinos.

E tem mais: um eficiente transporte de massa urbano melhora a qualidade de vida da cidade e dos cidadãos: causa menos poluição, diminui o estresse diário. Transporte de qualidade e alta capacidade significa melhor qualidade de vida urbana e mais saúde para cidadãos.

A realidade é que Salvador tem caminhado na contramão da história e da modernidade. O uso indiscriminado de carros particulares (hoje já acima dos 800 mil) e motos (incalculável) na cidade provocou um assustador crescimento nos índices de violência no trânsito, de mortes nas ruas, de zonas e tempo de engarrafamentos e de estresse para todos.

Não há dúvida que o estímulo ao uso do transporte privado é uma das principais causas do caos urbano, senão a maior. E não se resolvem esses problemas com mais carros, mais motos, viadutos, semáforos, quebramolas e multas. Imaginemos o que será desta cidade daqui a 10, 20 anos nesse ritmo crescente de carros, motos, travamentos, acidentes, estresse e agonia insuportáveis. As metrópoles que adotaram o sistema BRT de transporte de massa tiraram os usuários do congestionamento, a poluição, o número de carros particulares nas ruas, a quantidade de ônibus comuns por toda a cidade.

A mudança para um novo e eficiente sistema de transporte urbano de alta capacidade é um salto para a modernidade, um outro nível de conceito, de civilização, uma reciclagem de comportamentos, uma nova urbanidade. Uma cidade inserida no futuro, arejada, integrada ao século XXI. A implantação do sistema BRT em Salvador e Região  metropolitana é um salto significativo nesse sentido.

Eis os principais problemas:

Eis que eles, os problemas, existem,nas vistas de todos. Usuários e também os técnicos do Setps, da Prefeitura que monitoram tudo. Há instantes em que tudo flui bem. Noutros, tudo trava. As causas e locais são bem conhecidos. Desde o horário de pico, com o fluxo absurdo de carros particulares em algumas regiões, até manifestações de setores da comunidade, aqui e ali, que travam o fluxo e a cidade:

Sobreposição dos Atendimentos:
Excesso de linhas concorrentes nos principais corredores, com sobreposição de atendimentos.

Baixa Frequência de Partidas:
Intervalos entre as partidas superiores a 15 min, em 58% do total das linhas de ônibus; sobe nos períodos de pico.

Falta de Regularidade entre as Partidas:
Os intervalos praticados entre as partidas não têm regularidade; demanda distribuída de forma desequilibrada.

Atendimento Temporal Deficiente:
A baixa frequência das linhas, somada à falta de regularidade entre as partidas, permite afirmar que Salvador tem deficiente cobertura temporal no serviço.

Saturação das estações:
Especialmente Pirajá e Iguatemi.

Infraestrutura viária deficiente:
Falta de prioridade no tráfego para os ônibus.

Extensões e tempos de viagem críticos:
Observa-se que três das oito macrorregiões de Salvador (Calçada, Miolo Sul e A.U.C.) têm a extensão média de ciclo das linhas em torno dos 30 km e as demais (Suburbana, Miolo Norte, Pirajá, Mussurunga e Paralela) acima desse valor. Os tempos médios de ciclo em seis das oito macrorregiões se situaram entre 100 a 120 minutos e as outras duas acima de 120 minutos (Suburbana e Miolo Norte)

Uma nova Paralela já na primeira etapa

postado por Aleile @ 6:39 PM
21 de junho de 2010

A previsão é Ter o coredor Aeroporto /Aceso Norte /Retiro em operação já no fim de 2012

São apenas 21 quilômetros do Aeroporto até o Retiro, via Paralela, passando pelo Iguatemi, pela estação do Metrô no Acesso Norte até o Retiro. Esse é o trecho já aprovado e contemplado com recursos federais através de empréstimo assumido pelo Estado. O projeto geral do BRT Salvador vai ser iniciado dentro dos próximos dias e as obras começam ainda neste ano. Assim asseguram as autoridades do Estado e do município.

O sistema, criado em Curitiba na década de 1970 pelo então prefeito, o arquiteto Jaime Lerner, é conhecido, aprovado e foi copiado em metrópoles de todos os continentes. É o BRT, com ônibus articulados e biarticulados, com capacidade de transportar até 270 pessoas numa só levada, um transporte moderno, seguro, rápido, eficiente que trafega em canaletas exclusivas e param em estações com sistema de controle informatizado e alta tecnologia em todos os serviços.

Nesses 21,2 km precisos dessa primeira etapa, entre o Aeroporto e o Acesso Norte/ Retiro, via canteiro central da Paralela, pistas duplas de ida e vinda. Estão previstos 23 pontos de embarque e desembarque em novas estações, dez novas passarelas e 12 ampliações, 15 viadutos, três pontilhões e três mergulhos pelo itinerário. Um nova Paralela e novos costumes à vista. Tudo isso para garantir que o sistema reduza a média de espera por ônibus que é de 18 para três minutos; e o tempo de permanência do usuário no veículo que é de uma média de 35 para seguros 22 minutos. E isso é só a primeira etapa de um sistema previsto para 127 quilômetros de vias com a integração ao metrô, aos trens do Subúrbio, às praias atlânticas e ao Litoral Norte, contemplando num futuro toda a Região Metropolitana.

A opção pelo uso do BRT em Salvador se deu por causa da rapidez de implantação, a um custo bem mais baixo que outros sistemas, como o metrô, com fácil adequação da infra-estrutura física ao sistema viário. O BRT de Salvador virá com toda a tecnologia acrescida e bem aprovada nos sistemas implantados nas grandes metrópoles, como Londres. Terá portas duplas, automáticas e largas à esquerda dos carros; estações com pisos elevados garantindo o acesso fácil a todos, inclusive aos deficientes; a cobrança será antecipada, em guichês externos; e a circulação dos veículos se dará em vias expressas que permitirão ultrapassagens nas estações, acabando com as filas. Tudo previsto para oferecer o máximo de segurança e conforto.

Na rota Aeroporto/Iguatemi, por exemplo, teremos três tipos de operação dos veículos: o expresso, direto, mais rápido, sem paradas no trajeto; o semiexpresso, que fará poucas paradas intermediárias, apenas três ou quatro no trajeto; e o parador, que fará o pinga-pinga, fazendo parada em todos os pontos/estações do percurso.

Benefícios do sistema

  • Acessibilidade para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida
  • Ônibus e estações climatizados, dando mais conforto aos usuários Menor tempo de viagem, com velocidade média da frota de cerca de 35 km/h nas linhas diretas
  • Eliminação dos engarrafamentos para os veículos do sistema com as vias exclusivas de tráfego
  • Embarque e desembarque mais rápidos, por conta de estações com passagens pré-pagas e piso elevado, no mesmo nível dos ônibus
  • Mais segurança, com postos policiais nas estações e eliminação de dinheiro nos coletivos
  • Atração de novos passageiros com serviço de qualidade, o que provocará uma redução no uso de carros e motos, diminuindo a poluição
  • Uso de combustíveis mais limpos pela frota BRT

Passando a catraca: Depoimentos

postado por Aleile @ 6:24 PM
21 de junho de 2010

O ônibus é parte da vida da cidade e das pesoas . Dentro dele se vive horas, dias, meses, até anos de nossas vidas . E muito se aprende . A reportagem da Salvador em Movimento ouviu algumas figuras símbolos desta cidade sobre suas vivências dentro do noso buzu:

“O transporte coletivo na Bahia já teve o bonde, as marinetes e as lotações, e eu tive a sorte de poder andar em todos eles. Andei muito no bonde misto, que tinha metade das suas cadeiras reservadas para as pessoas transportarem mercadorias como caixas de tomate, colchões e até móveis, nas mudanças. Já no começo das marinetes, não havia catraca, o cobrador cobrava a passagem no dedo, sacudindo as moedas dentro de um frasco. Hoje, temos o cartão magnético, o vale transporte! Ando ainda de ônibus e percebo a falta de privacidade das pessoas com o telefone celular. Já ouvi histórias interessantes, como a patroa dando ordem para empregada de como fazer a sopa para o jantar: ‘faça com a massa de rodinha e não com a de estrelinha, viu fulana?’. Outra vez foi uma mulher falando com a outra aos berros: ‘Já lhe disse prá você não me ligar, sua cachorra’ – e desligou o telefone. Então, vou reunir esses e outros ‘casos’ em um livro, já intitulado de ‘Conversas de Buzu’. Espere prá ler.
Clarindo Silva,empresário, escritor e proprietário do Bar e Restaurante Cantina da Lua, um dos mais famosos do Centro Histórico de Salvador

“O ônibus já se chamou Marinete, porque os primeiros ônibus chegaram aqui quando chegou o autor italiano Marinete, que era na época famosíssimo. Então, crismaram os ônibus de Marinete. Só veio a se chamar ônibus muito depois. Eu tomei muita Marinete, a gente pagava ao motorista. Eram poucas marinetes e pouca gente. Tinha um exemplar de marinete para o Rio Vermelho, que ficava indo e voltando. O valor da passagem era 200 réis. Havia seção de bondes… No dia que tinha festa no Teatro São João, no Politeama, os bondes ficavam até mais tarde. Tinha bonde especial para casamento, enterro, etc.. Eram alugados. Eu conheci o sujeito que morreu, de infarto, dentro do último bonde. A família foi achar o cadáver dentro do Barracão, na Barroquinha. Isso aconteceu na década de 50.
Cid Teixeira, professor, historiador e escritor

“Primeiro foi o bonde, ele era muito importante prá Salvador naquela época. Foi o meio de transporte que mais marcou a minha adolescência. Uma coisa engraçada, era muito difícil o bonde sair dos trilhos. Depois, vieram as marinetes que também tiveram grande importância na minha vida, nelas viajei muito prá veranear em Itapuã. E agora, os ônibus, que são imprescindíveis para o desenvolvimento da cidade. Eles são muito mais importantes que os automóveis, por exemplo, já que os carros particulares transportam poucas pessoas e ocupam um espaço enorme nas vias. Enquanto não modernizarem o sistema de transporte de Salvador, o ônibus ainda é a melhor solução”.
Elsimar Coutinho, professor, cientista e médico, doutor em reprodução humana

O povão fala na espera do BRT

postado por Aleile @ 6:12 PM
21 de junho de 2010

Nada melhor do que conversar sobre buzu, com quem pega buzu e, mais ainda, “rodando” dentro de um deles. Uma parada aqui, um engarrafamento acolá, uns sobem, outros descem, uns chegam, outros vão… Foi nesse vaivém que procuramos saber de diferentes pessoas quais as vantagens e desvantagens de andar de ônibus em Salvador. E esse tal de BRT, vem de vera, vai funcionar de mermo? Siga nosso caminho e descubra o que o povão fala, tim-tim por tim-tim.
“Pego ônibus há mais de 30 anos e digo, sinceramente, a melhor parte de andar num buzu é a hora de chegar em casa, dá um alívio danado! A gente enfrenta engarrafamento, coletivo lotado, isso cansa. Mas, acredito no BRT como uma das soluções… Coisas novas, modernas são sempre bem-vindas. Espero poder usufruir delas, ou meus netos usufruirão.”

“Dependo do ônibus para me locomover, utilizo esse serviço, já faz parte do meu dia a dia. Chego rápido aos lugares que quero ir, só me atraso quando cai uma chuva ou perco o horário de saída… Porém, quando os ônibus se atrasam, aí não gosto mesmo. Outra coisa que chateia são os congestionamentos na Paralela e Rótula do Abacaxi. Ainda tenho dúvidas sobre esse BRT, prefiro esperar para ver o que acontece.”

“No horário de pico, em algumas linhas, a dificuldade é enorme com os engarrafamentos e os ônibus lotados. Quando chove, piora tudo. Por outro lado, pegar um coletivo tem suas vantagens. Se as pessoas deixassem seus carros em casa e utilizassem mais os ônibus; os engarrafamentos seriam reduzidos  sensivelmente. Penso que o BRT pode ser ótimo para a cidade, mas terá que ser muito bem estruturado, já que Salvador é uma cidade que está ficando cada vez mais inchada.”

“Acordo às 4h50 da manhã, saio de Dom Avelar e tenho que pegar quatros ônibus durante todo o dia. Infelizmente dependo da Estação Pirajá para me transportar. E lá, a situação não é das melhores, muito cheia, com invasões frequentes e desorganização. Pessoas mal educadas jogam lixo nos ônibus, depredam…  Aproveito o tempo de viagem para estudar. Quanto ao BRT, facilitaria a nossa vida e esse sonho se tornaria realidade!

“Acho que os coletivos percorrem distâncias muito grandes, tornando uma viagem que poderia ser rápida, num verdadeiro martírio. As pessoas devem entender que se usarem mais o ônibus e menos seus carros, vão diminuir o fluxo e desafogar o trânsito. Daí evoluir o transporte público é urgente e necessário. Os projetos de melhoria dos transportes, estão muito prematuros. Mas, se bem executados vão resolver o problema.”

“Quando estou com meu isopor; entro pela porta dianteira e vendo picolé para os passageiros, mas, quando estou sem ele a coisa é diferente, entro por trás, como todo mundo. Prá falar bem a verdade, adoro quando o trânsito tá engarrafado, porque acabo vendendo mais picolés, sem dúvida as vendas aumentam muito mais quando tá tudo parado. BRT, o que é isso?”

Bahia se prepara para 2014

postado por Aleile @ 5:58 PM
21 de junho de 2010

Um moderno sistema de transporte e uma arena multiuso de última geração darão uma nova feição à capital baiana

Vivendo o clima e as emoções da Copa da África do Sul e já de olho em 2014, quando o maior evento de futebol do planeta acontecerá no Brasil – e na Bahia –, o titular da Secretaria Estadual Extraordinária para Assuntos da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, Ney Campello, tem pela frente grandes desafios e pouco tempo. Ele elenca os dois maiores e fundamentais: a construção da nova arena esportiva no espaço da velha Fonte Nova e um sistema de mobilidade urbana eficiente, que dote a cidade de um moderno meio de transporte de massas. São exigências da FIFA para que a Copa aconteça em Salvador, cidade pré-escolhida como uma das sedes da competição.

A questão da nova Arena, palco maior do evento – entre a ladeira da Fonte e as águas do Dique do Tororó-, está encaminhada e tem até prazo definitivo: deve estar pronta em dezembro de 2012, para abrigar a Copa das Confederações que acontece no ano seguinte. O investimento inicialmente previsto é de R$ 591 milhões. A demolição da velha Fonte Nova e as obras de construção do novo estádio serão feitas pelo Consórcio Odebrecht/OAS, vencedor de licitação, numa Parceria Público Privada que terá a cooperação da Amsterdã Arena, gestora do estádio do Ajax, da Holanda.

BRT na Paralela
Quanto à questão da mobilidade urbana, o primeiro foco é a Paralela, principal ligação entre o Aeroporto e o Centro da cidade, e as proximidades do estádio onde acontecerão os jogos. O secretário Ney Campello informou que foi pactuado, em janeiro, o documento Matriz de Responsabilidade – assinado pelo governador, pelo prefeito e pelo ministro dos Esportes, Orlando Silva – para a implantação do corredor BRT Aeroporto-Acesso Norte. E disse: “O BRT traz como vantagens a tecnologia nacional e maior rapidez de execução – e isto para a Copa é muito importante – e o fato de ser bem mais barato que um metrô, por exemplo, ou que um sistema de VLT- Veículo Leve sobre Trilhos”.

O investimento para implantação do sistema BRT nesse primeiro trecho Aeroporto – Acesso Norte/ Metrô é de R$ 570 milhões, sendo R$ 541 milhões financiados pela CEF e bancados pelo Estado, porque a prefeitura não tem capacidade de endividamento. “O próximo passo é contratar o projeto básico, que deve ficar pronto em uns 30 a 60 dias, e licitar a obra até o fim do ano”, disse Campello, esclarecendo que quem vai licitar e executar a obra é o Estado, embora o projeto seja de responsabilidade da prefeitura. “Há uma preocupação do governador Wagner porque se trata de uma intervenção que vai mexer no ambiente da cidade, então qualquer decisão sobre transporte de massa deve ser validada pelo prefeito”, explica o secretário.

De fato, já foi constituído um grupo de trabalho com técnicos do Estado e da Prefeitura que trabalham e desenvolvem juntos projetos de uma Rede Integrada de Transportes para Salvador e que deve ser ampliada pelo Estado, através da Sedur – Secretaria de Desenvolvimento Urbano – para um sistema metropolitano integrado.

“Mesmo pensando na Copa, não podemos pensar numa solução de transporte somente para Salvador, é preciso pensar também na Região Metropolitana, especialmente a Estrada do Coco, porque boa parte das seleções e do público da Copa vai fi car hospedada no Litoral Norte, que possui hotéis e campos para treinamento, grandes espaços e tranquilidade para os times”, alerta o titular da Secopa. Por isso, o Estado pensa em implantar um corredor BRT ligando o Aeroporto a Portão, em Lauro de Freitas.

Campello frisa ainda que o BRT da Paralela é fundamental mas, sem o trecho Iguatemi/Lapa, muita gente fi cará de fora e não se resolve todo o problema dos travamentos, bem conhecidos. “É preciso oferecer um transporte de qualidade, que estimule os que possuem carro a deixá-los em casa.

Se for oferecido um serviço defi ciente ou que contemple apenas um trecho, pode haver um efeito contrário, levando a classe média a usar ainda mais os carros. É preciso que se faça algo moderno e de implantação rápida, como o BRT, com ônibus confortáveis, climatizados e com um combustível mais limpo. Tudo isso vai criar uma nova cultura na cidade”.

Campello chama a atenção também para a importância de, paralelamente ao BRT, se implantar uma rede de ciclovias na cidade, que estimule esse tipo de transporte totalmente não-poluente, como já é feito nos grandes centros do mundo. “Outra questão a ser cuidada é a acessibilidade dos defi cientes físicos, que será a mais completa possível”, finalizou.

A cidade reclama um sistema de ônibus de alta capacidade

postado por Aleile @ 4:26 PM
21 de junho de 2010

Num fim de tarde de um dia de trabalho assoberbado e comum na Transalvador – de reuniões, entrevistas, telefonemas, problemas, notícias da cidade …-, a equipe da revista Salvador em Movimento sentou -se com o arquiteto Francisco Ulises , e a conversa fluiu , rolou como o bate -papo dentro de um buzu , os asuntos pasando pela janela, seguindo em frente:

Qual a import ância do ônibus na vida da cidade ?
Francisco Ulises - O ônibus é o veículo onde a população mais trafega. Por mais que haja carro particular, nada supera a quantidade de passageiros nos ônibus na cidade. Mais de 40 milhões de pessoas trafegam de ônibus, por mês, em Salvador.

Alguns acham que a quantidade de ônibus contribui para os engarafamentos…
FU - Nas grandes cidades, muitas inchadas, o grande vilão é o carro, o veículo individual. Ou as cidades implementam sistemas de transporte de massa com qualidade, de alta capacidade, que permitam as pessoas deixarem seus veículos individuais na garagem, ou as grandes cidades param. É o que já está acontecendo em Salvador.

As pesoas cobram mais vias, viadutos, sinaleira,ordenamentos de tráfego…
FU -
Quanto mais viadutos, mais carros circulando; quanto mais vias, mais congestionamentos. Está provado: a solução do trânsito não está no trânsito, não é engenharia de tráfego, não são viadutos, obras, nada disso… São medidas que até podem minorar os engarrafamentos, aqui e ali, mas a solução é o transporte de alta capacidade. No caso de Salvador, cidade hoje com mais de três milhões de habitantes, a solução é um sistema de ônibus de alta capacidade e qualidade. Disso não temos dúvidas.

Andar de ônibus , hoje , então , significa cidadania?
FU - Utilizar o transporte coletivo de massa é um exercício de cidadania. Está provado que o uso do transporte individual como tem sido feito nas grandes cidades, também em Salvador, prejudica o direito de ir e vir de todos. Inclusive do próprio dono do carro particular.

Como se sustenta esse raciocínio?
FU -
É simples. Um ônibus transporta 100 passageiros e ocupa o espaço de dois carros, às vezes, com apenas uma pessoa ao volante. Outra coisa: 55% da população de Salvador, por exemplo, andam de ônibus e 28% a pé. De carro, em torno de 15%… Então, há uma inversão de prioridades, de hierarquia. É preciso transporte coletivo de qualidade para a maioria, propiciar boa circulação para o pedestre e ter o transporte individual como alternativa.

Essa é a tendência, o caminho do futuro?
FU – Para que se tenha a ideia de quanto o carro particular é tido como o grande vilão nas cidades modernas, em Manhattan, por exemplo, não se aprovam mais projetos de prédios com garagem. Isso na tentativa de obrigar os proprietários dos novos apartamentos da ilha de Nova Iorque a manterem seus carros em garagens, estacionamentos distantes, forçando-os assim a usar o transporte de massa. Diz-se que mobilidade se resolve com transporte de qualidade e com a restrição ao uso de carro particular.

Bem, então está tudo errado, porque o que vemos é o incentivo, até do governo, à compra de caros e de motos, não?

FU - Moto é uma praga nas cidades e é um veículo inseguro e poluente… E não existe um sistema de transporte coletivo de qualidade porque o que prevalece é a lógica dos interesses das grandes indústrias automobilística e das obras viárias, dos grandes projetos. Assim, não se prioriza o transporte de massa, como devia. As cidades carecem de recursos. Como está, tudo trava e todos são prejudicados. Essa realidade perversa e poluidora é também contra a nova ordem mundial, a visão da
sustentabilidade.

Mas iso vem de longe …
FU -
A política desenvolvimentista dos anos 1950 priorizava o transporte individual. Tinha sentido na época. Mas hoje a população brasileira é majoritariamente urbana e os grandes conflitos, as crises estão nas cidades. Segurança, desemprego, saúde, o estresse, o trânsito… A vida humana está em jogo. Já devíamos ter optado por outros modelos, elegendo novas prioridades.

Essa visão política desatuali zada tem um custo …
FU –
Hoje, o custo social com acidentes de trânsito, por exemplo, é absurdo, muito alto. O País tem um prejuízo de bilhões, cada ano. São mais de 30 mil mortes por ano, isso corresponde a uma guerra. Morre-se mais aqui no trânsito do que nos conflitos do Iraque, por exemplo. E isso é inadmissível.  Seguramente não mudamos isso com mais carros e motos nas ruas, mais vias e viadutos para eles.

Tampouco com quebra-molas …
FU –
Os quebra-molas aparecem em função da velocidade dos carros particulares. Diante dos atropelos, acidentes, as comunidades reivindicam e até constroem os quebra-molas. Num recente levantamento descobrimos uma linha de ônibus em que há 110 quebra-molas numa só viagem, ida e volta. Isso trava o fluxo, estraga o veículo e acaba com a saúde do motorista. Veja o ciclo vicioso: o carro corre, o cidadão põe o quebra-mola, há o travamento, o estresse, o prejuízo. Congestionamento significa perda de dinheiro.

Em torno desses problemas há uma discusão entre o poder público e os empresários?
FU -
Amadurecemos muito. Hoje o Setps nos acompanha,há uma parceria em busca de soluções, até em função da sobrevivência.

Em torno desse projeto do BRT, por exemplo, há uma parceira. Há nesse sentido uma convergência de intereses …

FU – Interesses da sociedade. Vivemos um momento de transição, quanto a questão dos transportes urbanos. É um momento sensível , precisamos de critérios e rigor nas decisões,porque o que decidirmos hoje vai ganhar amplitude no futuro da cidade. A meta é a melhoria nos serviços. O empresariado, hoje, está compreendendo isso bem melhor.

Hoje se vê o empresariado como parceiro, mas ainda há quem os veja como exploradores?
FU –
Acho que isso é coisa do passado. Houve uma mudança geracional, há uma nova mentalidade, uma
evolução. A NTU, a entidade nacional dos empresários de transportes urbanos, hoje tem a sofisticação de uma FIESP. Possui consultores de alto nível, alguns internacionais. Eles cresceram muito em nível de organização e têm contribuído positivamente na discussão dos problemas de transportes do País.

Como foi construída esa parceria, prefeitura/Setps, em torno do projeto BRT?
FU -
Montamos um grupo com cinco técnicos da prefeitura, três do Setps e mais uma consultoria de fora. Fizemos avaliações, buscamos alternativas, indicamos caminhos, opções. Para nós, importante. Para eles, é também a sobrevivência do negócio. É necessário recuperar o tempo, as perdas…

A concorência tamb ém é maior, as exigências do usuário também.
FU –
Se não oferecer um bom serviço, o usuário corre para as moto-táxis, vans, compram motos e carros usados em prestações a perder de vista… Já se diagnostica uma perda de 15% de demanda em cima desses fatores. Então, o sistema de BRTS é um benefício para a cidade, para o cidadão e significa uma retomada para o empresariado do setor.

Então , o moderno não é voar de moto , tampouco o último modelo do carão … e sim o BRT… Mas , como convencer o consumidor?
FU -
Sabemos que o apelo promocional hoje é para o transporte individual. Propaganda, facilidades, financiamentos especiais, etc.. Mas isso é um equívoco. O próprio governo federal há de repensar o assunto. Veja, a moto é o veículo de maior índice de acidentes, com tantos casos diários de morte,
invalidez… Moto significa rapidez, velocidade, risco de vida. E as motos são as maiores poluidoras urbanas! A moto polui mais do que um carro, um ônibus…

E vem aí o Bus Rapid Transit , o BRT.
FU -
O BRT é uma mudança de inflexão. Teremos um sistema de alta qualidade e capacidade com um custo 10 vezes menor do que um metrô. E que vai dar a Salvador um upgrade de qualidade urbana e de qualidade de vida. Vai criar novos comportamentos.

E iso tudo num tempo hábil, curto …

FU - O que a Copa do Mundo 2014 fez conosco foi pegar o sistema, que já existia num projeto bem estudado e traçado, e que talvez demorasse de aprontar e de começar a executar, e potencializou, definiu um prazo: tem que ser 2012. Em dezembro de 2012, o sistema do transporte de massa urbano da cidade deve estar em operação para a Copa das Confederações, que acontece em Salvador.

E o sistema é ese mesmo, o BRT que foi criado e aprovado em Curitiba?
FU
– Não há outro possível. Até a decisão da Fifa por Salvador aconteceu também em função da viabilidade do BRT, levando em conta a questão do tempo. Eles conhecem bem o sistema, viveram agora a experiência da implantação na África do Sul… Estamos prontos.

Validando o cartão

postado por Aleile @ 4:20 PM
21 de junho de 2010

“Salvador já vive o momento da Copa”

No embalo do ‘pingue-pongue’, a equipe da revista Salvador em Movimento correu atrás do Secretário Municipal de Transportes, o bacharel em Direito Euvaldo Jorge, que tomou a direção do papo e seguiu em frente, carimbando o assunto, validando o ‘cartão’

Como estão os projetos de mobilidade urbana visando a Copa de 2014?
Euvaldo Jorge - Salvador está vivendo um momento único, com entusiasmo para sediar a próxima Copa. As discussões acontecem em torno de vários projetos como a construção de um túnel ligando a Estação da Lapa à Fonte Nova, várias ciclovias na cidade, adaptação de quase todos os ônibus para os portadores de necessidades especiais, a construção da Via Expressa pelo governo do Estado. Buscamos soluções para os canteiros centrais, estamos fazendo pista para caminhadas e ciclovia no Bonocô.

E a questão dos transportes ?
EJ – Há projetos de faixas exclusivas para ônibus em vários locais da cidade, os projetos da RIT – Rede Integrada de Transportes e do BRT. Vamos concluir sobre os projetos o mais rápido possível para que possamos buscar os recursos junto ao governo federal e executar as obras dentro dos prazos que a Fifa nos deu. Sou um otimista nato e acho que tudo vai dar certo. A implantação do coredor de BRT Aeroporto -Aceso Norte parece definido.

EJ – Isso é importante, bem vindo. Sou fã do BRT, acho uma solução boa para Salvador, rápida e bem mais barata, mais fácil de ser implantada do que outras que existem. Inclusive porque o BRT vai se interligar com o metrô, que deve estar entrando nos trilhos no próximo mês de setembro e será também uma opção para a Copa. E, com certeza, teremos tarifas acessíveis à população.

Quando , de verdade , o baiano vai poder andar de metrô?
EJ – No início do ano que vem. E, logo depois da inauguração desse primeiro trecho, vamos buscar a conclusão do segundo tramo do metrô, do Acesso Norte a Pirajá. Porque é preciso pensar na integração dos transportes.

Até porquee, também, esse primeiro trecho é curto, ficou reduzido…
EJ - É, o metrô com o prefeito João Henrique tem cinco anos, mas vamos colocá-lo nos trilhos. E é bom esclarecer que quem reduziu o metrô foi o Governo Federal, que alegou ter dinheiro para fazer apenas esses seis quilômetros e a gente teve que aceitar. A nossa meta é concluir as obras. Vamos depois buscar recursos para concluir o segundo trecho, junto aos mesmos órgãos que financiaram o primeiro, como governos Federal e Estadual e Banco Mundial.

O que está certo e o que tem errado

postado por Aleile @ 3:52 PM
21 de junho de 2010

Pesquisa encomendada pelo SETPS aponta pontos fracos e fortes do sistema de transporte de Salvador

Em abril deste ano, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Salvador (Setps) encarou o que parece ter sido um de seus maiores desafios em 30 anos de fundação: colher dos passageiros, sem meias palavras e sem retoques, sua opinião sincera sobre o sistema de transporte por ônibus. Embora não tenham sido lá muito elogiosas, as respostas vão ao encontro do anseio do empresariado de melhorar a prestação do serviço, mediante a oferta de modalidades de transporte como o Bus Rapid Transit (BRT).

Com o novo sistema, muitas das dores de cabeça do usuário serão eliminadas, a exemplo da lentidão das viagens causada por um trânsito permanentemente congestionado.

Ao todo, foram entrevistados 798 usuários, abordados aleatoriamente em terminais urbanos e pontos de ônibus distribuídos pelas quatro áreas em que a cidade está dividida (Centro, Orla, Miolo e Subúrbio). Vale frisar que muitos dos itens negativos apontados pela população não são de responsabilidade das empresas. A sinalização dos pontos e dos locais de embarque nas estações,a distância entre os pontos e a limpeza geral dos terminais, por exemplo, são ações que dizem respeito exclusivamente à administração municipal, mas que terminam por comprometer a imagem do sistema perante o público. Mas nem só a críticas se resumiu a pesquisa: o Salvador Card (gestão operacional do Setps, responsável pela comercialização dos bilhetes eletrônicos de meia passagem estudantil, vale transporte e avulso) foi avaliado entre bom e ótimo por quase 60% dos entrevistados.

Para o superintendente do Setps, Horácio Brasil, as críticas registradas na pesquisa não chegam a surpreender. Afinal – ele lembra – o transporte coletivo sempre é a caixa de ressonância das insatisfações do cidadão: “Se o ônibus atrasa por causa dos engarrafamentos, quem leva a culpa não é o trânsito, mas a empresa que furou o horário”, exemplifica. Com o BRT, esse deixará de ser um problema para o soteropolitano: o novo sistema opera em corredores exclusivos, garantindo viagens mais rápidas e seguras.

Fator humano
Outro ponto criticado pelos pesquisados diz respeito à atuação de motoristas e cobradores, principalmente em relação ao tratamento dado a clientes especiais como portadores de deficiências, gestantes, crianças e idosos. Sobre a questão, vale lembrar o esforço que as empresas desenvolvem no sentido de estimular ações cidadãs entre os funcionários, sobretudo os que lidam diretamente com o público.

-Todos os colaboradores passam por programas de reciclagem, com destaque para a direção defensiva e o respeito ao cliente -, diz Jorge Castro, assessor de relações sindicais do Setps. “Ocorre que, muitas vezes, prevalece o fator humano, que varia de pessoa para pessoa”, acrescenta.

Longe de representar um desestímulo, a pesquisa será usada pelo Setps como uma espécie de bússola para guiar a implementação de melhorias no serviço. Até porque, como diz o ditado popular, é com as topadas que se vai para a frente.



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