Modelo Brasileiro

postado por Aleile @ 5:00 PM |
16 de junho de 2011

Rio de Janeiro e Belo Horizonte fazem investimentos em BRT e outras soluções

Com o problema de mobilidade urbana, a realização da Copa do Mundo 2014 nas cidades-sedes já começa a dar frutos para a população. Os engarrafamentos, o tempo perdido no embarque/desembarque nos ônibus, a longa espera nos pontos de ônibus, todos estes problemas já começaram a ser resolvidos em várias capitais do Brasil. Sem dúvida, quem ganha é a população, que já atesta, em capitais como Belo Horizonte, que o caminho para casa pode ser feito gastando até 50% menos de tempo.

Como nas edições anteriores, em que a Revista Salvador em Movimento trouxe Curitiba (PR) como a mãe do BRT e capitais que até já copiaram o modelo brasileiro, como Bogotá, na Colômbia, esta mostra os trabalhos avançados em mais duas capitais do Brasil: Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

São cidades que já concluíram alguns trechos de obras com até quatro anos de antecedência, o que demonstra para a população que as melhorias vieram para ficar. E não somente para o usuário do transporte público. No Rio de Janeiro, por exemplo, a população terá ciclovias ao longo dos trechos que receberão os corredores de ônibus. Estes veículos atenderão até 160 passageiros e não terão catracas, ou seja, tudo para agilizar a vida corrida de quem mora nas grandes capitais.

O avanço promovido pelo sistema, mesmo em Belo Horizonte que ainda não está com os ônibus do modelo BRT na pista, mas já percebe a agilidade com os ônibus do sistema rodando em vias próprias, é elogiado por todos. A população já percebeu que se antes gastava 40 minutos em um trecho de uma determinada avenida, agora gastará 15 minutos. E por que não pensar em projetos de infraestrutura que melhorarão o trânsito nas grandes capitais?

Quem experimentou, agora não quer mais saber de ver seu ônibus dividindo o espaço com os automóveis da cidade. E tem até quem já esteja deixando seu carro em casa, pois ir para determinados pontos da cidade de ônibus se tornou mais rápido. Aliás, são essas pessoas da classe média que são vistas em Bogotá, nas estações do BRT. Afinal de contas, por que pagar IPVA , prestação de carro e gasolina, se você pode pagar uma passagem e andar com todo o conforto no ônibus? E melhor, aproveitar para fazer uma ligação, ler o jornal e tudo sem ter que enfrentar confusão. O bolso e o humor dos cidadãos agradecem.

Rio, Belo exemplo

Com a implantação dos quatro trechos de BRT , a Cidade Maravilhosa terá, a partir do ano que vem, um sistema revolucionando o transporte público de passageiros, numa metrópole em que 76% da população utiliza o transporte coletivo para se locomover. Com aproximadamente 170 quilômetros nos quatro corredores, as populações das zonas oeste e norte, e da baixada fluminense poderão diminuir, no mínimo, 50% o tempo gasto no trajeto em direção ao centro da cidade e vice-versa. Todos os corredores serão interligados.

“O BRT é uma plataforma que permite a reestruturação do sistema de forma racional, proporcionando satisfação do usuário pela geração de rapidez e conforto” explicou o secretário municipal de Transportes, engenheiro Alexandre Sansão. O primeiro corredor em implantação é o TransOeste, que contará com 71 quilômetros de extensão, ligando o Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca, até Campo Grande e Santa Cruz. Serão investidos cerca de R$ 800 mil, com a expectativa de transportar já no início da operação 190 mil passageiros por dia.

A jornalista Carolina Meneses trabalhava no Recreio dos Bandeirantes, no percurso do TransOeste, e demorava mais de uma hora no percurso casa-trabalho e, às vezes, até mais do que isso na volta. “O tempo perdido no trânsito pesou bastante para eu mudar de emprego”, reclama.

O próximo é o TransCarioca, que vai ligar a Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional Tom Jobim – Galeão, com 39 quilômetros. O corredor custará R$ 1,5 bilhão, oriundos do BND ES, e deverá transportar 500 mil passageiros por dia. Em seguida, virá a TransOlímpica, com 26 quilômetros, que custará R$ 1,4 bilhão, através de parceria público-privada e prevê o trânsito de 100 mil passageiros/ dia entre a Barra da Tijuca e Deodoro. Sem previsão de custos e entrega, a TransBrasil contará com 31 quilômetros, ligando Bangu ao Centro, em plena Avenida Brasil, principal rota de saída do Rio, cenário de quilômetros de congestionamentos diários. A previsão é de 40 mil passageiros/hora nos horários de pico.

A Secretaria Municipal de Transportes informou que em maio de 2012 os usuários já viajarão nos ônibus articulados do TransOeste. Em 2013, estará pronto o TransCarioca, e o TransOlímpica no início de 2016. Não existe data prevista para a entrega do TransBrasil, já que ainda está em fase de planejamento.

Os passageiros terão à disposição,ciclovias ao longo dos trechos que receberão os corredores, bicicletários nas estações, poderão usar ônibus com capacidade para 160 passageiros e sem catracas. Um novo sistema de pagamento será utilizado, automatizado para melhor utilização da integração com os ônibus comuns, metrô e os trens da supervia.

BH, otimização com faixas exclusivas de ônibus

Imagine enfrentar de 40 minutos até uma hora de trânsito e, depois de uma mudança nas vias de acesso ao seu local de trabalho, poder ir para casa em apenas 15 minutos? Isto não é um sonho, já faz parte da rotina de Maria Cristina Ribeiro, comerciante, que agora vai de ônibus para a sua casa em menos da metade do tempo que gastava antes. Maria Cristina é moradora de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, com mais de 4,5 milhões de habitantes incluindo a região metropolitana, que viu através da criação de faixas exclusivas para os ônibus a otimização do seu tempo no dia a dia.

Esta é apenas uma das mudanças para receber a Copa do Mundo 2014, mas dois anos antes do evento, os mineiros já começam a tirar vantagem das melhorias para acelerar a mobilidade urbana. Taxistas, pedestres e até quem tem seu carro particular são unânimes na resposta que o trânsito da cidade melhorou com as obras feitas para a copa. Dados da Prefeitura de Belo Horizonte mostram que os ônibus e o trem metropolitano representam hoje 44,6% das viagens realizadas na região. Já os automóveis são responsáveis por 24,9% das viagens em Belo Horizonte, com 1,4 milhões de carros em circulação.

No caso da capital, as faixas exclusivas para ônibus já estão prontas na Avenida Antônio Carlos e na Cristiano Machado, mas o modelo dos veículos do BRT (Bus Rapid Transit) ainda está sendo decidido pela prefeitura. Neste momento, os ônibus antigos rodam dentro das faixas exclusivas. O projeto prevê 60 quilômetros de BRT em toda a capital, sendo que o sistema será implantado nas principais avenidas de acesso ao estádio do Mineirão, como as avenidas Cristiano Machado, Antônio Carlos, Carlos Luz, Pedro I e Pedro II , além das principais vias da área central. Ao todo, serão cerca de 60 estações de embarque/ desembarque em toda a cidade.

O corredor do BRT liga a Avenida Antônio Carlos e a Avenida Pedro I, as principais vias de acesso ao Mineirão, sendo que a primeira teve sua duplicação concluída em abril de 2010, ou seja, mais de quatro anos antes da Copa do Mundo. O objetivo da Prefeitura de Belo Horizonte é implementar o Sistema Inteligente de Transporte Coletivo (SITBus) até o final deste ano.

Com este sistema em funcionamento, o que muda, segundo o órgão, é que haverá a aprimoração da gestão, do controle e da operação dos ônibus gerando informações em tempo real. Se, em 2008, a avaliação do sistema de transporte estava em ótimo/bom para 12% dos entrevistados, com a chegada do BRT a meta é que 50% dos entrevistados avaliem o sistema como ótimo até o final do próximo ano.

E não há razão para não melhorar. Semelhante a um metrô, o passageiro quando utilizar o BRT pagará a passagem antecipadamente para acessar o terminal e otimizar a descida e entrada nos veículos. Quando o ônibus chega, o embarque é feito de forma imediata, reduzindo atrasos. A plataforma de embarque/desembarque também será no mesmo nível do ônibus, sendo mais um recurso para agilizar a movimentação dos passageiros. No mundo, cidades como Pequim (China), Johanesburgo (África do Sul), Bogotá (Colômbia) e Los Angeles (Estados Unidos) já possuem sistemas semelhantes.

O trecho do BRT da Antônio Carlos também já recebeu uma visita internacional para atestar sua segurança. Foi o Centro de Transporte Sustentável do Brasil (CTS-Brasil) que completou a auditoria de segurança viária realizada ao longo da avenida no trajeto que dará lugar a um corredor BRT . Para realizar o estudo, o CTS-Brasil contratou o britânico Philip Gold, especialista em segurança viária. O projeto faz parte do Bloomberg Global Road Safety Program (Programa Global de Vias Seguras) e o relatório final, incluindo as recomendações de segurança, já foi entregue à prefeitura.

E os números não deixam os mineiros desanimarem com os projetos. Belo Horizonte e a região metropolitana terão aproximadamente 500 veículos articulados no sistema BRT . Só no corredor da Avenida Antônio Carlos são 16 quilômetros de extensão de vias exclusivas que atenderão a uma demanda de 20 mil passageiros/hora/sentido. É a Copa do Mundo 2014 já mostrando os benefícios que permanecerão para os habitantes das cidades-sedes.

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