Os Caminhos de Salvador

postado por Aleile @ 9:17 PM |
15 de junho de 2011

Portal para melhoria do transporte público de passageiros de Salvador

Por Ubiratan Félix Pereira e Narareni Affonso*

Salvador, nos últimos anos, vem sofrendo, como na maioria das capitais do País, de uma grave crise de mobilidade, recebendo anualmente milhares de automóveis sem nenhuma condição de suprir com aumento do sistema viário correspondente. Ao mesmo tempo, uma concentração enorme de empreendimentos imobiliários no entorno de um dos principais eixos de deslocamento,que é a Avenida Paralela, tem trazido e trará mais carros, aumentando os congestionamentos.

Nos últimos 30 anos, o governo municipal tentou implantar sem sucesso o VLT (na época, chamado de Bonde Moderno), em 1985, que resultou em uma grande quantidade de viadutos inacabados e uma grande dívida para os cofres públicos municipais, que tiveram durante anos grande parte de sua arrecadação sendo “sequestrada judicialmente“ para pagar uma obra não realizada.

A segunda tentativa, ainda sem sucesso, está sendo a implantação do sistema metroviário, cujo primeiro trecho estava previsto para ser inaugurado no ano 2000,em um percurso de 13 quilômetros, interligando a Estação Pirajá (na época Terminal Nova Esperança) à Estação da Lapa, com um trecho de integração do metrô com a Estação Iguatemi, através da construção de uma linha da Paralela, com conclusão prometida para 2004.

A terceira etapa, através da interligação da Estação Iguatemi ao Terminal da França, passando por Dois Leões para ser integrado ao Sistema de Transporte Ferroviário, que se pretendia estender da Calçada ao Terminal da França.

Esta tentativa, como bem sabem os soteropolitanos, resultou em um trecho de seis quilômetros que ligam a Lapa ao Acesso Norte, com baixa capacidade de carregamento,com custo operacional estimado em R$ 18,00, sem integração com outros modais de transporte e a um custo R$ 1 bilhão, que é três vezes maior do que o apresentado pelo governo municipal inicialmente para concluir a etapa um do Metrô de Salvador.

Enquanto essas promessas não são cumpridas, o sistema de transporte público é realizado, em sua quase totalidade, pelos ônibus com tempo de viagem alto em relação às distâncias percorridas, longas esperas nos pontos e circulando nos congestionamentos dos automóveis, além de pouco confortáveis.

Com a escolha de Salvador como uma das sedes da Copa 2014, o município tem a oportunidade de implantar um sistema de transporte público eficiente e que aproveite ao máximo as características do relevo da cidade de Salvador e que promova a integração dos diversos modais: ônibus, trem e Plano Inclinado, elevador e metrô quando estiver em operação.

Há nesse momento uma grande polêmica de qual modal estrutural (metrô, BRT ou VLT ) Salvador deverá implantar para a Copa de 2014 na Avenida Luis Viana Filho (Paralela) para dar acesso ao aeroporto.

O senso comum no País é achar que o único modal eficiente seja o metrô, principalmente por operar em via própria fora do tráfego de automóveis, com garantia de cumprimento do horário, com estações climatizadas, limpeza e bom atendimento aos usuários. Mas há hoje a experiência dos corredores exclusivos de Curitiba e Porto Alegre e, internacionalmente, os corredores de Bogotá e Cali, na Colômbia, onde a qualidade existente no setor metroviário é reproduzida no sistema estrutural de ônibus.

A experiência colombiana, implantada por técnicos brasileiros com domínio da tecnologia dos corredores de ônibus da cidade de Curitiba e do Metrô de São Paulo, criou um novo tipo de corredor exclusivo de ônibus. Este modelo foi cunhado por BRT – Bus Rapid Transit (Transporte Rápido no Trânsito) e que é operado como um metrô com uma central de controle operacional onde cada ônibus é monitorado por computador de bordo com GPS, que identifica onde está cada veículo, e tem comunicação direta com o motorista, com estações fechadas, cobrança externa ao veículo, um sistema de informação que avisa em quantos minutos o ônibus vai chegar.

Esses três modais têm como base oferecer qualidade aos usuários e devem ser escolhidos com base nas condições topográficas, orçamentárias e deverá estar em operação plena em 2013, na Copa das Confederações.

Nas tabelas, tendo em conta diversos fatores de desempenho operacional e de implantação de obras, pode-se analisar melhor essa situação.

O BRT tem se mostrado o mais adequado às condições topográficas, ao tempo de execução e aos recursos disponíveis no programa de mobilidade urbana para Salvador, pois permite ao sistema estar em operação na data estipulada pela Fifa. Importante salientar que o BRT na Avenida Paralela, ligando o aeroporto à Estação Acesso Norte do Metrô, em 2010, se consolida  com recursos de R$ 567 milhões para as obras e é assinado entre os governos federal, estadual e municipal.

O governo do Estado estuda a possibilidade de estender o BRT até Lauro de Freitas e de implantar o trecho Iguatemi-Lapa, ampliando a acessibilidade a outras áreas, também evitando o risco de se fazer um BRT incompleto, como está acontecendo com o metrô, que só se tornará um sistema de massa quando chegar a Cajazeiras, indo mais além da Estação Pirajá, além de ter o desafio de conseguir absorver a integralidade da demanda vinda do BRT.

O BRT vai possibilitar também a reestruturação de todo o sistema convencional das linhas troncais e alimentadoras com gestão moderna, onde cada ônibus é monitorado por uma central de controle, por terminais nas pontas das linhas, com estações fora da via exclusiva de ônibus, podendo ter também preferência nas travessias semafóricas, de forma a garantir confiabilidade de horários aos usuários, promover a inclusão das pessoas portadoras de deficiência e de mobilidade reduzida.

No corredor do BRT , o passageiro faz o pagamento fora do veículo, nos terminais de integração ou nos ônibus convencionais. Nas estações de embarque, poderão parar até quatro ônibus articulados ou biarticulados, com portas que só são abertas na parada dos veículos. Com segunda via de ultrapassagem, linhas expressas irão diretamente ao final da linha, reduzindo significativamente o tempo de viagem, além de cada veículo ser monitorado nos terminais e cada ônibus com rádio para garantir fluidez na via.

Quanto à questão ambiental, o  BRT vai proporcionar qualidade do ar, pois Salvador já está utilizando o Diesel S-50 ppms (50 partes por um milhão de enxofre) com os ônibus com níveis muito baixo de emissões  de CO2,HC e NOx e que, em 2013, com diesel S-10 ppms com níveis de poluição equivalentes a um carro de passeio à gasolina.

Mas, para garantir essas conquistas, é urgente e fundamental que a sociedade civil se organize e pressione os estados e municípios para que primeiramente se completem os projetos, em seguida iniciem as obras, que se façam as licitações com outorga onerosa e através delas a implantação de sistemas informatizados de gestão e de comunicação com os usuários, bem como se adquiram as frotas de ônibus articulados, biarticulados e convencionais acessíveis em Salvador e região metropolitana, mostrando ao mundo uma Bahia moderna e eficiente, com qualidade ambiental, e cheia de cidadania.

Engº Civil Ubiratan Félix Pereira
Presidente do Sindicato dos Engenheiros- Senge – BA

Nazareno Affonso
Urbanista de Mobilidade Urbana e Coordenador do Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público com Qualidade

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