Diversidade na oportunidade de trabalho

postado por Aleile @ 1:56 PM |
15 de junho de 2011

Se antes você observava certos postos de trabalho e só conseguia imaginar homens trabalhando neles, você perdeu o bonde do avanço das mulheres na sociedade. Bonde não, neste caso podemos falar em ônibus mesmo!

Porque quando se trata do sistema de transporte público em Salvador, não precisa pesquisar muito para encontrar até mulher trabalhando como motorista de ônibus, como é o caso da entrevistada Letícia Correia, a motorista da Expresso Vitória da foto ao lado.

 Nesta edição, a revista Salvador em Movimento presta uma homenagem a estas profissionais que ajudam a administrar um importante setor da nossa cidade e que trazem para o transporte urbano a harmonia e o jeito de administrar várias tarefas ao mesmo tempo que só a mulher moderna sabe ter.

 São cobradoras, diretoras, assistentes e motoristas que estão há bastante tempo no ramo e que viram não só o papel da mulher mudar na sociedade, como também a visão das pessoas com relação a estas profissionais.

 Não faltam pesquisas para atestar que a evolução da presença feminina no mercado de trabalho tem sido acompanhada por avanços importantes na qualidade de seus empregos e na diversificação de suas oportunidades de trabalho.

 Resta-nos apreciar, através destas histórias, que a mulher pode sim ser bonita, muito bem cuidada, competente e agradar aos passageiros, como a cobradora Maria de Lourdes. Trabalhar em uma empresa e avançar em diferentes setores, como fez à assistente pessoal Joana Angélica.

 Também não é qualquer pessoa que tem dois filhos, mais de 24 anos no ramo dos transportes, começou como estagiária e assumiu uma diretoria e tem a plenitude de dizer que se dedica 100% à empresa e a todas as outras tarefas pessoais. Esta história é possível conferir no depoimento de Líbia Lassi.

Elas são dedicadas, se esforçam para participar de todas as atividades oferecidas pelas empresas e as companhias garantem que não fazem mais distinção na hora de selecionar homens ou mulheres. Elas não perderam o bonde da história, nem dormiram no ponto. Elas chegaram e já escreveram um final feliz em cada uma das suas carreiras profissionais.

  •  Maria de Lourdes Santos Silva, 56 anos, colaboradora

 

 Ela começou na empresa BTU no dia 1 de outubro de 1977. Desde então, não deixou mais o trabalho no sistema de transporte e tudo que guarda são boas recordações. Quando Maria de Lourdes entrou na BTU trabalhava como rodomoça. Palavra estranha para os mais jovens, rodomoça era a pessoa que cobrava as passagens dos passageiros nos ônibus executivos. Foi nesta função que Maria de Lourdes passou os dois primeiros anos de empresa e da qual sente muito orgulho de ter praticado. “Os passageiros andavam todos muitos bem vestidos e arrumados. Adorava atender aquelas pessoas”, recorda a cobradora.

 Depois deste período, Maria de Lourdes começou a trabalhar na parte administrativa da BTU, mais especificamente na tesouraria, administrando a arrecadação do dinheiro das passagens. Não foi pouca responsabilidade! Por motivos pessoais, a cobradora precisou se ausentar, mas, depois que voltou para BTU, completou agora 12 anos nas linhas do Pituba R1 e do Vale dos Rios R3. “Trato meus passageiros com todo o carinho. Tem uma garota que sempre me elogiava. Um dia, ela entrou no ônibus e falou para a mãe: Olha mãe, esta que é a cobradora que eu falo. Fiquei feliz dela lembrar de mim em casa”, comenta Maria de Lourdes.

 Basta uma breve olhadinha para Maria de Lourdes para perceber: unhas bem pintadas, batom forte e caprichado, simpatia e sempre um sorriso no rosto. Não dá gosto ser atendido por uma pessoa assim todas as manhãs?

  •  Joana Angélica Alves Santana, 52 anos, assistente pessoal

 

Pode até parecer coincidência, mas Joana Angélica entrou na empresa BTU também como rodomoça. Fazendo história na companhia, a assistente pessoal, que hoje trabalhada no setor pessoal da BTU, chegou à empresa em 1975. A partir daí foram diversos setores: contas, contabilidade, operações, quase nada escapa à dedicada funcionária. “Vi muitas mudanças no sistema de transporte e sempre para melhor. Não tínhamos tanto treinamento, não tínhamos setor de Recursos Humanos, etc.”, avalia a assistente. Hoje, Joana Angélica também enfatiza o papel positivo que as mulheres têm no dia a dia do transporte público em Salvador. “Trabalhar com mulheres é trabalhar em harmonia. Somos mais delicadas para tratar com os funcionários. Acredito que acrescentamos muito a uma empresa”, comenta Joana Angélica.

 No começo, nos seus tempos de rodomoça, Joana Angélica recorda que os motoristas ficaram um pouco desconfiados, já que não estavam acostumados a trabalhar com mulheres. Hoje, ela sabe que este problema está completamente resolvido. Ainda sobre esta época, a assistente pessoal relembra,

sorrindo, que as pessoas achavam diferente ter uma mulher trabalhando com ônibus e entravam e pagavam a passagem só para ver como eram estas rodomoças. “Começou assim, e a mulher hoje está tomando conta não só no sistema rodoviário”, acrescenta Joana Angélica.

  •  Líbia Lassi, diretora administrativa e financeira

 Quase 50% das cobradoras do grupo Expresso Vitória são mulheres. É com este dado interessante que Líbia Lassi começa seu depoimento, o que mostra que a dedicação e o empenho das mulheres no sistema de transporte têm conquistado todos os setores. A própria Líbia é a prova viva deste empenho e de conquista, já que ocupa um importante cargo na empresa: o de diretora administrativa e financeira da Expresso Vitória. A empresa tem cerca de 40% do seu quadro feminino e Líbia conta com orgulho que ali também tem motoristas de ônibus mulheres.

 “Temos uma valorização da mulher aqui na Expresso Vitória. Acho que é um profissional que vale a pena investir e aqui ela entra de igual para igual em qualquer profissão”, avalia a diretora. Líbia começou na empresa de ônibus como estagiária de informática e passados 24 anos não se

vê trabalhando com outra coisa. Para ela, o sistema de transporte mudou muito neste quarto de século. Líbia acredita que a própria informática trouxe muitos benefícios, como a minimização do tempo gasto para várias atividades que às vezes entravam pela noite para conseguirem ser finalizadas no mesmo dia.

Para a diretora, outra mudança positiva foi a forma como a Expresso Vitória começou a investir na qualidade de vida dos empregados, se preocupando muito mais com o funcionário. Hoje a empresa oferece atividades físicas como a ginástica laboral, o pilates e massagens e vê isto como uma forma de valorizar todos que estão ali dentro. “Quando você está investindo nos funcionários, está investindo na saúde da empresa”, justifica Líbia. Quando o assunto são as mulheres, Líbia acredita que as funcionárias ficam ainda mais satisfeitas, já que são vaidosas e abraçam mesmo todas as atividades oferecidas.

 E não são poucas. Além da parte física, tem também curso de inglês e convênios com faculdades. “Neste ponto, a mulher tem uma visão diferente. Ela quer crescer mesmo na profissão”, diz. Hoje, 24 anos após ter ingressado no sistema de transporte, Líbia sabe que houve uma mudança radical no papel da mulher na sociedade e resume: nós, as mulheres, somos mesmo multifocais.

  •  Letícia da Silva Correia. Motorista de ônibus

 De todos os cargos ocupados pela mulher no sistema de transporte, este é, sem dúvida, quase plenamente ocupado pelos homens. A história profissional de Letícia, motorista da Expresso Vitória, é uma história de superação, com momentos alegres, como o das pessoas que a cumprimentam por quebrar barreiras, mas também com momentos tristes como o de passageiros que já se negaram a subir no ônibus, porque uma mulher estava dirigindo.

 Hoje, a motorista pega às 4h40min da manhã na linha Estação Pirajá/Cajazeiras 8. “’É uma emoção que eu passo a cada dia. Porque eu pego aquele turno e sei que não vou encontrar nenhuma outra mulher no roteiro”, comenta Letícia. A motorista começou com ônibus de transporte escolar e teve no seu marido, também motorista de ônibus, um grande incentivador.

 Agora, Letícia está acostumada com a reação dos outros homens motoristas. Porém, no começo sofreu fechadas e piadinhas, e havia quem pensasse grosseiramente que ela deveria pilotar fogão. Preconceitos à parte, a felicidade de Letícia está em contar que seus filhos já a acompanharam nas viagens e adoram contar que a mãe dirige um ônibus nas ruas de Salvador. E foi do início da sua carreira que ela guarda a história mais comovente. Letícia socorreu um passageiro que pegava seu carro todos os dias e teve um infarto durante a viagem.

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