Mobilidade, uma questão de gestão

postado por Aleile @ 6:56 PM
17 de junho de 2011

Salvador é uma cidade precocemente  “travada”, como se diz nos noticiários. Não se consegue circular a pé, de carro ou de transporte coletivo, sem o incômodo das demoras e  lentidões  nas intermináveis horas de pico de  demanda. Estamos de fato imóveis.O que se previa acontecer lá para o final desta década, infelizmente nos pegou a todos de surpresa.

Não fosse a oportunidade de investimentos na infraestrutura trazida pela Copa 2014, continuaríamos atônitos diante do caos urbano que se avoluma e toma formas de bicho de sete cabeças. São inúmeras as tentativas de explicações e soluções: tem carros  demais e ruas de menos. Falta concluir o metrô “curtinho”. Bota mais metrô na Paralela. A solução mais rápida é o BRT . A culpa é dos políticos, dos empreiteiros, dos donos de ônibus, das incorporadoras imobiliárias e por aí vai.

O fato é que, enquanto muitos palpitam, poucos discutem e raríssimos agem de fato e quando o fazem não é necessariamente da forma mais apropriada, planejada, debatida e, sobretudo, com a visão multidisciplinar que o problema exige. Tenho particularmente acompanhado várias discussões, debates e seminário sobre o tema nesta cidade nos últimos cinco anos. Várias na Câmara Municipal, na Universidade Federal da Bahia (Ufba), no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-BA ), no auditório do jornal A Tarde, na Assembleia Legislativa da Bahia, na Associação Comercial da Bahia e na mídia. Infelizmente, verifica-se que, em boa parte desses encontros, promovidos pelos setores público e privado, tudo não passa de embates entre as torcidas organizadas que torcem pelo VLT ou pelo BRT . É o FLA-FLU (ou BA-VI , trazendo a discussão para o plano local) da mobilidade, despertando paixões exatamente como acontece com o futebol e com os demais esportes de massa.

No imaginário de algumas cabeças influentes, alguns quilômetros do Veículo Leve sobre Trilhos pela Avenida Luiz Viana Filho, a Paralela, vai solucionar a imobilidade da cidade, resolvendo, por exemplo, os problemas de deslocamento do cidadão que mora no subúrbio ferroviário e trabalha na Barra. Ou daquele outro que mora na Barra e trabalha no subúrbio ferroviário. Há quem acredite que apenas alguns viadutos, passarelas para pedestres, ciclovias e ônibus em faixa exclusiva vão resolver no dia seguinte as agruras dos moradores das Cajazeiras, Pirajá ou Brotas. Outros ainda asseguram que o VLT , onde quer que seja implantado, destrava a cidade, a região metropolitana e, quem sabe, todo o Estado.

A novidade mesmo tem sido o novo apelido adotado por alguns para o metrô de superfície ou metrô leve, agora batizado de VLT , provavelmente apenas para camuflar a estigmatizada palavra metrô, que remete ao “metrô calça curta”, hoje motivo de piada nacional. Fabricantes, construtores  e operadores dessas modalidades ferroviárias ou rodoviárias estão esperando a “partida” terminar para venderem seus produtos. A animação é total.

E a mobilidade?

A questão mobilidade, propriamente dita, vem sendo tangenciada quando não negligenciada nos inúmeros debates ocorridos sobre o tema. Poucos têm sido os expositores e debatedores que abordam o assunto com propriedade, sinalizando que a questão mobilidade passa antes de tudo pelo planejamento urbano e microrregional, ou seja, a questão é complexa demais para ser equacionada por simples “transporteiros”.

E mais ainda, se o PIB brasileiro é gerado nas áreas urbanas, por 80% da população que as ocupa, estamos também diante de uma questão econômica na qual os custos urbanos se refletem nos preços e qualidade dos nossos produtos, sem contar as externalidades de cidades “imóveis” tais como o estresse da população, a poluição ambiental e a violência urbana que implicam numa saúde publica de péssima qualidade, num trabalhador de baixo rendimento e num PIB abaixo do potencial nacional.

Diante de tal quadro, ocorre um remédio de emergência: gestão pública. Sem esta, nem a gestão da empresa privada, igualmente imprescindível, prospera. Para um outrora propalado “choque de gestão” se faz necessária a adoção de políticas claras, de Estado e não de governo, planos diretores setoriais, legislação atualizada, comunicação social competente, pessoal técnico e administrativo preparado e reciclado, instrumentais modernos e metas orçamentárias realistas e transparentes parcerias com o setor privado naquilo que mais apropriado for.

Sem gestão, não se tem a infraestrutura requerida nem a prestação dos serviços oferecidos à população. Além do mais, a boa gestão pública de um setor ou função urbana contagia positivamente os demais setores e serviços prestados.

Não se tem notícia, por exemplo, de uma área urbana com um excelente serviço de transporte, porém com a limpeza urbana, a saúde, a educação ou a segurança pública deficientes. Logo, gestâo é este o primeiro fator de garantia da mobilidade urbana.

É, portanto, inadequado reduzir a discussão da mobilidade à escolha desse ou daquele modal de transporte público, até porque cada um deles tem suas características  que exigem uma análise técnica cuidadosa para embasar melhor  a decisão política. A complexidade dessa escolha exige conhecimentos técnicos de vários enfoques, a um nível que possibilite uma análise multicriterial para melhor avaliação dos riscos.

Terra de maravilhas, exemplo de gestão

Recentemente, estivemos no 59º Congresso da União Internacional de Transporte Público (UIT P), entidade com 115 anos de existência e de respeitabilidade, mundialmente  reconhecida a ponto de influenciar governos no que tange à mobilidade sustentável.

Neste ano, o evento aconteceu em Dubai, onde foi desenvolvido o tema que prevê a duplicação da demanda de transporte público até 2025, como uma forma de reduzir a poluição no planeta. Na semana que precedeu o congresso, a delegação brasileira realizou uma visita técnica a Istambul, metrópole com mais de 16 milhões de habitantes, 80% dos quais vivem na parte europeia da cidade.

A partir do ano 2000, vem ocorrendo em Istambul uma transformação visível, mesmo para quem não a conheceu no século passado. A metrópole que só contava com cerca de 40 quilômetros de trem metropolitano, hoje conta com 16 quilômetros de metrô em operação e mais 15 quilômetros em fase final de construção, mais 15 quilômetros de VLT na área central, um funicular (plano inclinado) de 600 metros e um BRT , inicialmente com 40 quilômetros, implantado em oito meses.

Com 30 mil passageiros/hora/sentido, o BRT de Istambul é considerado o terceiro mais eficiente do mundo – o primeiro é o de Bogotá (Colômbia) e o segundo o de Jakarta (Indonésia). Todos esses sistemas estão integrados operacionalmente e o BRT se justifica pela pressa que a metrópole tem de resolver seus problemas mais urgentes de mobilidade. A cidade hoje é segura, limpa e agradável e conta com um Plano Diretor Urbano com metas ousadas até 2025, quando o país completa 100 anos de estruturado.

Dubai não dá para comparar com nada neste mundo. É de uma riqueza exuberante e onde tudo é feito com muito exagero. O sistema viário é repleto de Rolls Royce, Lamborghini, Ferrari e Porsche a ponto de, devido aos congestionamentos nas horas de pico, dispor de um metrô que parece saído de um conto das mil e uma noites e um sistema de ônibus com ar condicionado nos postos de parada. Dubai tem um plano diretor.

Não por acaso, tem gestão pública. A nota negativa de todo o congresso, no lado brasileiro, foi a ausência de representantes do poder público, com exceção do secretário de Transporte do estado do Rio de Janeiro e do secretário de Transporte Me-tropolitano de São Paulo. Enquanto o Brasil ignorava o evento, vários ministros e secretários de países europeus, asiáticos e até dos Estados Unidos estavam lá. Até parece uma atitude de arrogância, mas, a julgar por outras gafes do nosso povo, com certeza, não foi essa a “ância” que justificou a notada ausência.

Até que enfim

No seminário “Mobilidade em Destaque: Fluxos, deslocamentos e alternativas para os sistemas de transportes públicos na Região Metropolitana de Salvador”, organizado pela coordenadora da Subcomissão Especial de Desenvolvimento Urbano da Assembleia Legislativa da Bahia, deputada Maria del Carmen, no dia 5 de maio deste ano, surgiu uma voz tonitruante de um professor de geografia da Ufba, que fez lembrar a lucidez do seu colega, já falecido, o Dr. Milton Santos.

O professor Clímaco Dias explicou os motivos da falta de mobilidade na capital baiana e na RMS e, demonstrou que, sem conhecer a causa da enfermidade e com base apenas na propaganda dos remédios, é dificílimo curar a tal doença chamada imobilidade.

Em outras sábias palavras, o professor de geografia falou da horizontalidade da cidade, dos assentamentos urbanos sem planejamento, da clandestinidade da urbe, do crescimento desordenado e desassistido ao longo dos tempos, que fizeram do bairro das Cajazeiras um aglomerado urbano maior que Feira de Santana e sem nem um décimo da estrutura da segunda maior cidade do Estado.

Apenas recentemente o bairro conta com uma agência do Banco do Brasil, Correios, escolas de 2º e 3º graus, centro de abastecimento, postos e hospitais insuficientes, assim como são insuficientes os aparatos de segurança, ordenamento do solo e outros serviços de atendimento ao cidadão.

Isso gera, por consequência, uma grande necessidade de transporte público e de sistema viário para que as pessoas possam  se deslocar a outra parte da cidade onde esses serviços existem de forma concentrada.

O professor Clímaco lembrou, inclusive, que Salvador se estende por toda a região metropolitana, vez que, há muito tempo, trabalhadores da Petrobras, Centro Industrial e Porto de Aratu, Polo Petroquímico e complexo turístico do Litoral Norte residem na capital e diariamente (e penosamente!) se locomovem por ônibus e automóveis por motivos de emprego, fornecimento de serviços e negócios outros.

São movimentos associados à extrema desarticulação entre as funções moradia,  trabalho, negócio, escola e lazer para uma importante parcela da população que gera trânsito de veículos sobre o precário sistema viário regional. Até que enfim, uma voz que traduz uma visão que enxerga mais longe.

Modelo Brasileiro

postado por Aleile @ 5:00 PM
16 de junho de 2011

Rio de Janeiro e Belo Horizonte fazem investimentos em BRT e outras soluções

Com o problema de mobilidade urbana, a realização da Copa do Mundo 2014 nas cidades-sedes já começa a dar frutos para a população. Os engarrafamentos, o tempo perdido no embarque/desembarque nos ônibus, a longa espera nos pontos de ônibus, todos estes problemas já começaram a ser resolvidos em várias capitais do Brasil. Sem dúvida, quem ganha é a população, que já atesta, em capitais como Belo Horizonte, que o caminho para casa pode ser feito gastando até 50% menos de tempo.

Como nas edições anteriores, em que a Revista Salvador em Movimento trouxe Curitiba (PR) como a mãe do BRT e capitais que até já copiaram o modelo brasileiro, como Bogotá, na Colômbia, esta mostra os trabalhos avançados em mais duas capitais do Brasil: Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

São cidades que já concluíram alguns trechos de obras com até quatro anos de antecedência, o que demonstra para a população que as melhorias vieram para ficar. E não somente para o usuário do transporte público. No Rio de Janeiro, por exemplo, a população terá ciclovias ao longo dos trechos que receberão os corredores de ônibus. Estes veículos atenderão até 160 passageiros e não terão catracas, ou seja, tudo para agilizar a vida corrida de quem mora nas grandes capitais.

O avanço promovido pelo sistema, mesmo em Belo Horizonte que ainda não está com os ônibus do modelo BRT na pista, mas já percebe a agilidade com os ônibus do sistema rodando em vias próprias, é elogiado por todos. A população já percebeu que se antes gastava 40 minutos em um trecho de uma determinada avenida, agora gastará 15 minutos. E por que não pensar em projetos de infraestrutura que melhorarão o trânsito nas grandes capitais?

Quem experimentou, agora não quer mais saber de ver seu ônibus dividindo o espaço com os automóveis da cidade. E tem até quem já esteja deixando seu carro em casa, pois ir para determinados pontos da cidade de ônibus se tornou mais rápido. Aliás, são essas pessoas da classe média que são vistas em Bogotá, nas estações do BRT. Afinal de contas, por que pagar IPVA , prestação de carro e gasolina, se você pode pagar uma passagem e andar com todo o conforto no ônibus? E melhor, aproveitar para fazer uma ligação, ler o jornal e tudo sem ter que enfrentar confusão. O bolso e o humor dos cidadãos agradecem.

Rio, Belo exemplo

Com a implantação dos quatro trechos de BRT , a Cidade Maravilhosa terá, a partir do ano que vem, um sistema revolucionando o transporte público de passageiros, numa metrópole em que 76% da população utiliza o transporte coletivo para se locomover. Com aproximadamente 170 quilômetros nos quatro corredores, as populações das zonas oeste e norte, e da baixada fluminense poderão diminuir, no mínimo, 50% o tempo gasto no trajeto em direção ao centro da cidade e vice-versa. Todos os corredores serão interligados.

“O BRT é uma plataforma que permite a reestruturação do sistema de forma racional, proporcionando satisfação do usuário pela geração de rapidez e conforto” explicou o secretário municipal de Transportes, engenheiro Alexandre Sansão. O primeiro corredor em implantação é o TransOeste, que contará com 71 quilômetros de extensão, ligando o Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca, até Campo Grande e Santa Cruz. Serão investidos cerca de R$ 800 mil, com a expectativa de transportar já no início da operação 190 mil passageiros por dia.

A jornalista Carolina Meneses trabalhava no Recreio dos Bandeirantes, no percurso do TransOeste, e demorava mais de uma hora no percurso casa-trabalho e, às vezes, até mais do que isso na volta. “O tempo perdido no trânsito pesou bastante para eu mudar de emprego”, reclama.

O próximo é o TransCarioca, que vai ligar a Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional Tom Jobim – Galeão, com 39 quilômetros. O corredor custará R$ 1,5 bilhão, oriundos do BND ES, e deverá transportar 500 mil passageiros por dia. Em seguida, virá a TransOlímpica, com 26 quilômetros, que custará R$ 1,4 bilhão, através de parceria público-privada e prevê o trânsito de 100 mil passageiros/ dia entre a Barra da Tijuca e Deodoro. Sem previsão de custos e entrega, a TransBrasil contará com 31 quilômetros, ligando Bangu ao Centro, em plena Avenida Brasil, principal rota de saída do Rio, cenário de quilômetros de congestionamentos diários. A previsão é de 40 mil passageiros/hora nos horários de pico.

A Secretaria Municipal de Transportes informou que em maio de 2012 os usuários já viajarão nos ônibus articulados do TransOeste. Em 2013, estará pronto o TransCarioca, e o TransOlímpica no início de 2016. Não existe data prevista para a entrega do TransBrasil, já que ainda está em fase de planejamento.

Os passageiros terão à disposição,ciclovias ao longo dos trechos que receberão os corredores, bicicletários nas estações, poderão usar ônibus com capacidade para 160 passageiros e sem catracas. Um novo sistema de pagamento será utilizado, automatizado para melhor utilização da integração com os ônibus comuns, metrô e os trens da supervia.

BH, otimização com faixas exclusivas de ônibus

Imagine enfrentar de 40 minutos até uma hora de trânsito e, depois de uma mudança nas vias de acesso ao seu local de trabalho, poder ir para casa em apenas 15 minutos? Isto não é um sonho, já faz parte da rotina de Maria Cristina Ribeiro, comerciante, que agora vai de ônibus para a sua casa em menos da metade do tempo que gastava antes. Maria Cristina é moradora de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, com mais de 4,5 milhões de habitantes incluindo a região metropolitana, que viu através da criação de faixas exclusivas para os ônibus a otimização do seu tempo no dia a dia.

Esta é apenas uma das mudanças para receber a Copa do Mundo 2014, mas dois anos antes do evento, os mineiros já começam a tirar vantagem das melhorias para acelerar a mobilidade urbana. Taxistas, pedestres e até quem tem seu carro particular são unânimes na resposta que o trânsito da cidade melhorou com as obras feitas para a copa. Dados da Prefeitura de Belo Horizonte mostram que os ônibus e o trem metropolitano representam hoje 44,6% das viagens realizadas na região. Já os automóveis são responsáveis por 24,9% das viagens em Belo Horizonte, com 1,4 milhões de carros em circulação.

No caso da capital, as faixas exclusivas para ônibus já estão prontas na Avenida Antônio Carlos e na Cristiano Machado, mas o modelo dos veículos do BRT (Bus Rapid Transit) ainda está sendo decidido pela prefeitura. Neste momento, os ônibus antigos rodam dentro das faixas exclusivas. O projeto prevê 60 quilômetros de BRT em toda a capital, sendo que o sistema será implantado nas principais avenidas de acesso ao estádio do Mineirão, como as avenidas Cristiano Machado, Antônio Carlos, Carlos Luz, Pedro I e Pedro II , além das principais vias da área central. Ao todo, serão cerca de 60 estações de embarque/ desembarque em toda a cidade.

O corredor do BRT liga a Avenida Antônio Carlos e a Avenida Pedro I, as principais vias de acesso ao Mineirão, sendo que a primeira teve sua duplicação concluída em abril de 2010, ou seja, mais de quatro anos antes da Copa do Mundo. O objetivo da Prefeitura de Belo Horizonte é implementar o Sistema Inteligente de Transporte Coletivo (SITBus) até o final deste ano.

Com este sistema em funcionamento, o que muda, segundo o órgão, é que haverá a aprimoração da gestão, do controle e da operação dos ônibus gerando informações em tempo real. Se, em 2008, a avaliação do sistema de transporte estava em ótimo/bom para 12% dos entrevistados, com a chegada do BRT a meta é que 50% dos entrevistados avaliem o sistema como ótimo até o final do próximo ano.

E não há razão para não melhorar. Semelhante a um metrô, o passageiro quando utilizar o BRT pagará a passagem antecipadamente para acessar o terminal e otimizar a descida e entrada nos veículos. Quando o ônibus chega, o embarque é feito de forma imediata, reduzindo atrasos. A plataforma de embarque/desembarque também será no mesmo nível do ônibus, sendo mais um recurso para agilizar a movimentação dos passageiros. No mundo, cidades como Pequim (China), Johanesburgo (África do Sul), Bogotá (Colômbia) e Los Angeles (Estados Unidos) já possuem sistemas semelhantes.

O trecho do BRT da Antônio Carlos também já recebeu uma visita internacional para atestar sua segurança. Foi o Centro de Transporte Sustentável do Brasil (CTS-Brasil) que completou a auditoria de segurança viária realizada ao longo da avenida no trajeto que dará lugar a um corredor BRT . Para realizar o estudo, o CTS-Brasil contratou o britânico Philip Gold, especialista em segurança viária. O projeto faz parte do Bloomberg Global Road Safety Program (Programa Global de Vias Seguras) e o relatório final, incluindo as recomendações de segurança, já foi entregue à prefeitura.

E os números não deixam os mineiros desanimarem com os projetos. Belo Horizonte e a região metropolitana terão aproximadamente 500 veículos articulados no sistema BRT . Só no corredor da Avenida Antônio Carlos são 16 quilômetros de extensão de vias exclusivas que atenderão a uma demanda de 20 mil passageiros/hora/sentido. É a Copa do Mundo 2014 já mostrando os benefícios que permanecerão para os habitantes das cidades-sedes.

Os Caminhos de Salvador

postado por Aleile @ 9:17 PM
15 de junho de 2011

Portal para melhoria do transporte público de passageiros de Salvador

Por Ubiratan Félix Pereira e Narareni Affonso*

Salvador, nos últimos anos, vem sofrendo, como na maioria das capitais do País, de uma grave crise de mobilidade, recebendo anualmente milhares de automóveis sem nenhuma condição de suprir com aumento do sistema viário correspondente. Ao mesmo tempo, uma concentração enorme de empreendimentos imobiliários no entorno de um dos principais eixos de deslocamento,que é a Avenida Paralela, tem trazido e trará mais carros, aumentando os congestionamentos.

Nos últimos 30 anos, o governo municipal tentou implantar sem sucesso o VLT (na época, chamado de Bonde Moderno), em 1985, que resultou em uma grande quantidade de viadutos inacabados e uma grande dívida para os cofres públicos municipais, que tiveram durante anos grande parte de sua arrecadação sendo “sequestrada judicialmente“ para pagar uma obra não realizada.

A segunda tentativa, ainda sem sucesso, está sendo a implantação do sistema metroviário, cujo primeiro trecho estava previsto para ser inaugurado no ano 2000,em um percurso de 13 quilômetros, interligando a Estação Pirajá (na época Terminal Nova Esperança) à Estação da Lapa, com um trecho de integração do metrô com a Estação Iguatemi, através da construção de uma linha da Paralela, com conclusão prometida para 2004.

A terceira etapa, através da interligação da Estação Iguatemi ao Terminal da França, passando por Dois Leões para ser integrado ao Sistema de Transporte Ferroviário, que se pretendia estender da Calçada ao Terminal da França.

Esta tentativa, como bem sabem os soteropolitanos, resultou em um trecho de seis quilômetros que ligam a Lapa ao Acesso Norte, com baixa capacidade de carregamento,com custo operacional estimado em R$ 18,00, sem integração com outros modais de transporte e a um custo R$ 1 bilhão, que é três vezes maior do que o apresentado pelo governo municipal inicialmente para concluir a etapa um do Metrô de Salvador.

Enquanto essas promessas não são cumpridas, o sistema de transporte público é realizado, em sua quase totalidade, pelos ônibus com tempo de viagem alto em relação às distâncias percorridas, longas esperas nos pontos e circulando nos congestionamentos dos automóveis, além de pouco confortáveis.

Com a escolha de Salvador como uma das sedes da Copa 2014, o município tem a oportunidade de implantar um sistema de transporte público eficiente e que aproveite ao máximo as características do relevo da cidade de Salvador e que promova a integração dos diversos modais: ônibus, trem e Plano Inclinado, elevador e metrô quando estiver em operação.

Há nesse momento uma grande polêmica de qual modal estrutural (metrô, BRT ou VLT ) Salvador deverá implantar para a Copa de 2014 na Avenida Luis Viana Filho (Paralela) para dar acesso ao aeroporto.

O senso comum no País é achar que o único modal eficiente seja o metrô, principalmente por operar em via própria fora do tráfego de automóveis, com garantia de cumprimento do horário, com estações climatizadas, limpeza e bom atendimento aos usuários. Mas há hoje a experiência dos corredores exclusivos de Curitiba e Porto Alegre e, internacionalmente, os corredores de Bogotá e Cali, na Colômbia, onde a qualidade existente no setor metroviário é reproduzida no sistema estrutural de ônibus.

A experiência colombiana, implantada por técnicos brasileiros com domínio da tecnologia dos corredores de ônibus da cidade de Curitiba e do Metrô de São Paulo, criou um novo tipo de corredor exclusivo de ônibus. Este modelo foi cunhado por BRT – Bus Rapid Transit (Transporte Rápido no Trânsito) e que é operado como um metrô com uma central de controle operacional onde cada ônibus é monitorado por computador de bordo com GPS, que identifica onde está cada veículo, e tem comunicação direta com o motorista, com estações fechadas, cobrança externa ao veículo, um sistema de informação que avisa em quantos minutos o ônibus vai chegar.

Esses três modais têm como base oferecer qualidade aos usuários e devem ser escolhidos com base nas condições topográficas, orçamentárias e deverá estar em operação plena em 2013, na Copa das Confederações.

Nas tabelas, tendo em conta diversos fatores de desempenho operacional e de implantação de obras, pode-se analisar melhor essa situação.

O BRT tem se mostrado o mais adequado às condições topográficas, ao tempo de execução e aos recursos disponíveis no programa de mobilidade urbana para Salvador, pois permite ao sistema estar em operação na data estipulada pela Fifa. Importante salientar que o BRT na Avenida Paralela, ligando o aeroporto à Estação Acesso Norte do Metrô, em 2010, se consolida  com recursos de R$ 567 milhões para as obras e é assinado entre os governos federal, estadual e municipal.

O governo do Estado estuda a possibilidade de estender o BRT até Lauro de Freitas e de implantar o trecho Iguatemi-Lapa, ampliando a acessibilidade a outras áreas, também evitando o risco de se fazer um BRT incompleto, como está acontecendo com o metrô, que só se tornará um sistema de massa quando chegar a Cajazeiras, indo mais além da Estação Pirajá, além de ter o desafio de conseguir absorver a integralidade da demanda vinda do BRT.

O BRT vai possibilitar também a reestruturação de todo o sistema convencional das linhas troncais e alimentadoras com gestão moderna, onde cada ônibus é monitorado por uma central de controle, por terminais nas pontas das linhas, com estações fora da via exclusiva de ônibus, podendo ter também preferência nas travessias semafóricas, de forma a garantir confiabilidade de horários aos usuários, promover a inclusão das pessoas portadoras de deficiência e de mobilidade reduzida.

No corredor do BRT , o passageiro faz o pagamento fora do veículo, nos terminais de integração ou nos ônibus convencionais. Nas estações de embarque, poderão parar até quatro ônibus articulados ou biarticulados, com portas que só são abertas na parada dos veículos. Com segunda via de ultrapassagem, linhas expressas irão diretamente ao final da linha, reduzindo significativamente o tempo de viagem, além de cada veículo ser monitorado nos terminais e cada ônibus com rádio para garantir fluidez na via.

Quanto à questão ambiental, o  BRT vai proporcionar qualidade do ar, pois Salvador já está utilizando o Diesel S-50 ppms (50 partes por um milhão de enxofre) com os ônibus com níveis muito baixo de emissões  de CO2,HC e NOx e que, em 2013, com diesel S-10 ppms com níveis de poluição equivalentes a um carro de passeio à gasolina.

Mas, para garantir essas conquistas, é urgente e fundamental que a sociedade civil se organize e pressione os estados e municípios para que primeiramente se completem os projetos, em seguida iniciem as obras, que se façam as licitações com outorga onerosa e através delas a implantação de sistemas informatizados de gestão e de comunicação com os usuários, bem como se adquiram as frotas de ônibus articulados, biarticulados e convencionais acessíveis em Salvador e região metropolitana, mostrando ao mundo uma Bahia moderna e eficiente, com qualidade ambiental, e cheia de cidadania.

Engº Civil Ubiratan Félix Pereira
Presidente do Sindicato dos Engenheiros- Senge – BA

Nazareno Affonso
Urbanista de Mobilidade Urbana e Coordenador do Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público com Qualidade

Expresso Vitória alonga a qualidade de vida

postado por Aleile @ 7:24 PM
15 de junho de 2011

 
Adriano da Silveira Cardoso começou a trabalhar na  Expresso Vitória como office-boy e hoje é reconhecido como prata da casa. Motivo? Cardoso aproveitou a oportunidade. Estudou e se formou em Educação Física, se pós-graduou em Pilates e, atualmente, é o grande responsável pela qualidade de vida de centenas de funcionários na empresa. Foi o educador físico que implementou três programas na Expresso Vitória: a ginástica laboral, a quick massage e as aulas de pilates.

Em matéria de exercícios físicos, o resultado obtido logo estimulou outras pessoas a praticarem as atividades também. E ninguém melhor que Amirailton Ribeiro de Jesus, mecânico da Expresso Vitória, para descrever o quanto a prática da ginástica laboral mudou a sua rotina.
“É sinônimo de saúde. Sinto-me bem mais disposto a trabalhar”, acrescenta Jesus. A ginástica laboral acontece três vezes por semana, no próprio ambiente de trabalho, e não toma mais que 15 minutos dos funcionários.

Além dos alongamentos, Jesus conta que estes momentos também são de diversão e positivos pelas dicas de saúde que Cardoso oferece aos alunos. “Mantenho este espírito e, fora daqui, também malho e corro durante a semana”, informa o mecânico.

A ginástica é praticada no primeiro horário da jornada de trabalho e percorre todos os setores da Expresso Vitória. “Tem o objetivo de prevenir as doenças ocupacionais, estar socializando com os colegas e preparar as articulações e musculaturas para uma jornada de trabalho que é intensa”, justifica Cardoso. O projeto já tem três anos em curso. E ninguém fica de fora, o pessoal da administração, que fica mais interno nos escritórios, motoristas e cobradores.

É estímulo não somente para a questão do bem-estar. Cardoso colocou à disposição um troféu simbólico para os setores que praticarem a ginástica laboral com mais assiduidade e animação. “Ganhamos o 1° troféu e sabemos que este é também um momento de aproximação da equipe”, justifica Helmuth Henrique, gerente-financeiro da Expresso Vitória. Atualmente, o troféu (em formato de jacaré) foi parar em outro setor, mas o financeiro promete que o tomará de volta logo.

PILATES - A partir do momento em que implementou a ginástica laboral e a quick massage, Cardoso percebeu as inúmeras queixas que os motoristas de ônibus faziam em relação a dores na região lombar, por ficarem muito tempo sentados durante a jornada de trabalho. Foi então que surgiu a ideia, implementada há sete meses, de formar turmas de pilates, que atendem cerca de 30 alunos a cada dois meses.

“Quando percebi a demanda dos funcionários da Expresso Vitória, acabei me aprofundando mais no estudo de exercícios para aliviar estas dores na região lombar. Porém, o pilates não atende apenas a reabilitação. As pessoas podem fazer os exercícios como condicionamento físico”, alerta Cardoso. Para o educador físico, há a necessidade. O pilates também proporciona ganhos de flexibilidade, de reeducação postural e mesmo na respiração.

A grande diferença do pilates para a musculação, praticada nas academias, é que o primeiro fortalece a musculatura profunda do corpo humano. Ou seja, o pilates é o principal responsável por estabilizar as articulações, prevenindo futuras lesões nos ombros, joelhos e tornozelos. Este é o princípio do pilates. “Tenho aluno aqui que faz exercício de malabarismo. Tem de todas as idades, desde motoristas de 26 anos até os de 55 anos de idade”, comenta Cardoso.

O educador físico ainda ressalta que os alunos fazem o alongamento na Expresso Vitória e levam o que aprenderam para a casa, ensinando os movimentos para seus familiares. Não há nenhum custo para os funcionários e Cardoso acrescenta que está sempre abrindo novas turmas para atender os interessados. “O objetivo principal é dar início à atividade física e, quando eles saírem do pilates, darem continuidade ao exercício. É o estímulo que damos para eles, para quebrarem este paradigma de sedentarismo”, comenta.

Renavação – Imagine a lista de doenças: colesterol alto, glicemia,pressão alta, dificuldade para dormir e dores de cabeça. João Marcos de Oliveira Dias, motorista de ônibus há 15 anos e há quatro na empresa Expresso Vitória, tinha todos estes problemas e com seis meses de pilates é rápido na resposta: “Todos estes problemas acabaram”, comemora o motorista. Dias foi convidado pelo próprio gerente da empresa a praticar a atividade física e não nega que antes faltava mais ao trabalho.

Agora, ele pratica a atividade duas vezes por semana e também ensinou seus filhos e esposa a fazer os alongamentos. “Já até comprei um dos equipamentos para a minha casa (a bola) e o benefício não é só físico. O pilates alivia totalmente o estresse, estou 100% mais calmo”, analisa Dias. O motorista também faz yoga e acrescenta que enfrenta de outra forma o engarrafamento do trânsito. Quando tem um intervalo nas viagens de ônibus, aproveita para fazer os alongamentos que aprendeu por cerca de 10 minutos. “Nem fisioterapia eu preciso mais fazer”.

A quick massage é a massagem rápida, na tradução do inglês para o português. Também foi desenvolvida há três anos, mas é oferecida apenas para funcionários do setor administrativo. São três educadores físicos que praticam o método na “semana da massagem”, com duração de 15 a 20 minutos para cada funcionário.

“Temos o intuito de aliviar as tensões,facilitando o fluxo sanguíneo e aliviando dores de cabeça e o principal: combatendo o estresse. Independentemente da área ou da classe social, é o estresse o grande vilão”, informa Cardoso.

O professor ainda ressalta: a massagem é o grande xodó. Eles chegam a atender até 50 funcionários em uma semana. “Quem não gosta de massagem? Faria, se pudesse, três vezes por dia, todos os dias. No início da manhã, depois do almoço e até antes de ir para casa”, brinca o educador. Apesar de ter uma demanda maior, a massagem também não tem nenhum custo para os funcionários.

E ainda vem novidade por aí. A academia de ginástica para os funcionários já foi prometida para este ano e foi muito pedida pelos empregados da Expresso Vitória.

A academia vai funcionar na sede da Expresso Vitória, em Campinas de Pirajá, e o grande desafio para Cardoso vai ser oferecer o melhor atendimento a todos os 800 funcionários da empresa que desejarem participar.

Regular o assento e levar uma almofadinha são conselhos que Cardoso dá aos motoristas e aos cobradores, mostrando, na prática, como melhorar a rotina de trabalho. É um alongamento aqui, um conselho ali e o resultado são dias mais calmos, corpos mais dispostos, com a intenção central de tirar do vocabulário a palavra estresse.

Lugar para o portador de necessidades especiais

postado por Aleile @ 6:09 PM
15 de junho de 2011

Unidade de Gratuidade da Pessoa com deficiência

Quem passa pela Alameda Comendador Pereira da Silva, em Brotas, uma rua arborizada e de curta extensão, situada atrás da Caixa Econômica, duvida que aquele prédio de cores claras, design moderno e pontilhado de equipamentos de acessibilidade seja um órgão público.

Mas é exatamente ali que funciona a Unidade de Gratuidade da Pessoa com Deficiência (UGPD), coordenação vinculada à Secretaria Municipal dos Transportes e Infraestrutura (Setin) e que, como sugere o nome, gerencia a concessão do benefício da gratuidade às pessoas com deficiência, nos veículos do Sistema de Transporte Coletivo por Ônibus de Salvador, de acordo com a legislação em vigor.

Mas nem sempre foi assim. Até quatro anos atrás, o órgão ocupava uma ala do Hospital São Jorge, o PAM Roma, cujas instalações eram totalmente inadequadas. E a requalificação da unidade agradou em cheio as entidades parceiras, que padeciam as agruras do espaço anterior.

“A UG PD é um espaço de promoção da cidadania e da dignidade da pessoa com deficiência. Sem dúvida, uma grande conquista para o movimento de luta e defesa dos direitos da pessoa com deficiência”, define Ilka Santos de Carvalho, superintendente da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). Para a executiva, o atendimento ficou mais rápido, com uma equipe especializada com foco no ser humano. Ela também destaca a informatização do sistema e o atendimento com agendamento por telefone como fatores que têm facilitado o acesso da
pessoa com deficiência ao benefício.

E, ao contrário do que possa parecer, a transferência para Brotas representou muito mais que uma simples mudança de endereço. Foi também a oportunidade para depurar o cadastro de beneficiários, à época recheado de irregularidades e equívocos na concessão. Titulares falecidos, cartões em duplicidade, concessões indevidas e carteiras com prazo de validade vencido foram algumas das irregularidades detectadas durante o recadastramento que durou pouco mais de um ano e meio, de 21 de janeiro de 2008 a outubro de 2009.

Não por acaso, quando a revisão foi iniciada, havia um total de 56.800 beneficiários da gratuidade cadastrados no Sistema de Transporte Coletivo por Ônibus de Salvador – STCO.

Destes, 29.197 atenderam à convocação para o recadastramento e 21.824 cumpriam as exigências de lei para manutenção do benefício, enquanto 7.373 foram indeferidos e tiveram o benefício cancelado.

“Havia o que se chama de farra da gratuidade”, diz Gustavo Almeida, coordenador da UG PD. Decorrido mais de um ano desde o término do processo, ele lamenta que parte do esforço desenvolvido para moralizar a concessão do benefício esteja sendo frustrado pela Defensoria Pública do Estado, pródiga em acionar a Justiça para reativar alguns benefícios cassados corretamente ao longo do recadastramento.

“A questão é que, mesmo inconsistentes, alguns dos argumentos têm sido acatados pela Justiça sob a forma de liminar, embora o julgamento do mérito, em sua maioria, seja favorável ao município”, diz o gestor.

Cursos Promovem a inserção

postado por Aleile @ 5:40 PM
15 de junho de 2011

Durante o processo de recadastramento, a equipe da UG PD/Setin confirmou o que antes era apenas uma suspeita: o alto índice de desemprego da clientela, uma conseqüência da baixa escolaridade que, por sua vez, está associada às condições sociais do público-alvo.

“Sem qualificação profissional e sem experiência, as pessoas acabavam sem acesso ao mercado”, observa o coordenador, que resolveu encarar o desafio de ampliar as oportunidades de inserção social daquele segmento.

Para isso, foi preciso buscar parcerias. De imediato, a Associação de Pais e Amigos de Deficientes Auditivos do Estado da Bahia (Apada-BA ) se prontificou a marchar junto com a UG PD/Setin no que estivesse ao seu alcance.

O SalvadorCard e a Caixa Econômica Federal também deram apoio à iniciativa, que resultou na realização do curso “Preparação para o mercado produtivo”, já com duas turmas concluídas – a primeira, no período de maio a agosto/2010; a segunda, entre setembro e novembro/2010 – e a terceira em andamento.

Das 22 pessoas selecionadas para a primeira turma (todas com ensino fundamental completo), 17 alcançaram a frequência mínima de 75% para o recebimento do certificado de conclusão do curso e 16 foram imediatamente chamadas pelo mercado de trabalho. Já na segunda turma, foram  selecionados, também, 22 alunos, 19 dos quais alcançaram a frequência mínima e receberam o certificado de conclusão, ingressando gradativamente no mercado produtivo.

Satisfeito com o resultado da iniciativa, Gustavo Almeida considera que a UG PD/Setin/PMS alcançou o objetivo de disponibilizar para a Apada jovens e adultos com deficiência preparados e aptos para entrar no mercado. “E isso é o que se pode chamar de inserção social”, enfatiza.

Entidades parceiras aprovam mudanças

postado por Aleile @ 5:33 PM
15 de junho de 2011

O crescimento da Unidade de Gratuidade da Pessoa com Deficiência (UG PD) e o amadurecimento de uma política de entendimento são as principais características do atendimento prestado hoje em Salvador à pessoa com deficiência. Pelo menos na avaliação de Marizanda Dantas Souza, presidente da Associação de Pais e Amigos de Deficientes Auditivos do Estado da Bahia (Apada), entidade que atua, já há 20 anos, em defesa dos interesses daspessoas com dificuldades de audição e da fala.

A fundação da Apada foi uma decorrência natural das dificuldades que a própria Marizanda vivenciava no seu cotidiano de dona de casa e mãe de uma criança com deficiência auditiva.

E só quem vive a situação pode avaliar como é difícil a inclusão de uma pessoa surda e ou muda numa sociedade que privilegia a fala como principal meio de comunicação, pondera a presidente.

Mesmo hoje, apesar dos avanços sociais e tecnológicos, os obstáculos persistem. O mercado de trabalho ainda impõe restrições à pessoa que possui limitações na fala ou na audição.

 “São muito poucas as empresas que abrem as portas ao deficiente”, atesta a presidente. “A rede de supermercados Bom Preço é uma dessas honráveis exceções”, conta Marizanda Dantas Souza. 

Fazendo coro à Apada, a superintendente da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), Ilka Santos de Carvalho, considera que o grande desafio da pessoa portadora de necessidades especiais na sociedade seja principalmente o preconceito.

“Não podemos negar os avanços e conquistas obtidos ao longo do tempo, mas é necessário superar as barreiras que impedem a inclusão efetiva da pessoa com deficiência”, declara Ilka Santos de Carvalho.

E esse, ela defende, deve ser um dever de todos. “Governos, empresas, entidades civis,  movimentos de lutas, as forças vivas da sociedade precisam estar unidas para construir a ponte para uma sociedade de fato inclusiva”, finaliza a superintendente da Apae.  
 

Diversidade na oportunidade de trabalho

postado por Aleile @ 1:56 PM
15 de junho de 2011

Se antes você observava certos postos de trabalho e só conseguia imaginar homens trabalhando neles, você perdeu o bonde do avanço das mulheres na sociedade. Bonde não, neste caso podemos falar em ônibus mesmo!

Porque quando se trata do sistema de transporte público em Salvador, não precisa pesquisar muito para encontrar até mulher trabalhando como motorista de ônibus, como é o caso da entrevistada Letícia Correia, a motorista da Expresso Vitória da foto ao lado.

 Nesta edição, a revista Salvador em Movimento presta uma homenagem a estas profissionais que ajudam a administrar um importante setor da nossa cidade e que trazem para o transporte urbano a harmonia e o jeito de administrar várias tarefas ao mesmo tempo que só a mulher moderna sabe ter.

 São cobradoras, diretoras, assistentes e motoristas que estão há bastante tempo no ramo e que viram não só o papel da mulher mudar na sociedade, como também a visão das pessoas com relação a estas profissionais.

 Não faltam pesquisas para atestar que a evolução da presença feminina no mercado de trabalho tem sido acompanhada por avanços importantes na qualidade de seus empregos e na diversificação de suas oportunidades de trabalho.

 Resta-nos apreciar, através destas histórias, que a mulher pode sim ser bonita, muito bem cuidada, competente e agradar aos passageiros, como a cobradora Maria de Lourdes. Trabalhar em uma empresa e avançar em diferentes setores, como fez à assistente pessoal Joana Angélica.

 Também não é qualquer pessoa que tem dois filhos, mais de 24 anos no ramo dos transportes, começou como estagiária e assumiu uma diretoria e tem a plenitude de dizer que se dedica 100% à empresa e a todas as outras tarefas pessoais. Esta história é possível conferir no depoimento de Líbia Lassi.

Elas são dedicadas, se esforçam para participar de todas as atividades oferecidas pelas empresas e as companhias garantem que não fazem mais distinção na hora de selecionar homens ou mulheres. Elas não perderam o bonde da história, nem dormiram no ponto. Elas chegaram e já escreveram um final feliz em cada uma das suas carreiras profissionais.

  •  Maria de Lourdes Santos Silva, 56 anos, colaboradora

 

 Ela começou na empresa BTU no dia 1 de outubro de 1977. Desde então, não deixou mais o trabalho no sistema de transporte e tudo que guarda são boas recordações. Quando Maria de Lourdes entrou na BTU trabalhava como rodomoça. Palavra estranha para os mais jovens, rodomoça era a pessoa que cobrava as passagens dos passageiros nos ônibus executivos. Foi nesta função que Maria de Lourdes passou os dois primeiros anos de empresa e da qual sente muito orgulho de ter praticado. “Os passageiros andavam todos muitos bem vestidos e arrumados. Adorava atender aquelas pessoas”, recorda a cobradora.

 Depois deste período, Maria de Lourdes começou a trabalhar na parte administrativa da BTU, mais especificamente na tesouraria, administrando a arrecadação do dinheiro das passagens. Não foi pouca responsabilidade! Por motivos pessoais, a cobradora precisou se ausentar, mas, depois que voltou para BTU, completou agora 12 anos nas linhas do Pituba R1 e do Vale dos Rios R3. “Trato meus passageiros com todo o carinho. Tem uma garota que sempre me elogiava. Um dia, ela entrou no ônibus e falou para a mãe: Olha mãe, esta que é a cobradora que eu falo. Fiquei feliz dela lembrar de mim em casa”, comenta Maria de Lourdes.

 Basta uma breve olhadinha para Maria de Lourdes para perceber: unhas bem pintadas, batom forte e caprichado, simpatia e sempre um sorriso no rosto. Não dá gosto ser atendido por uma pessoa assim todas as manhãs?

  •  Joana Angélica Alves Santana, 52 anos, assistente pessoal

 

Pode até parecer coincidência, mas Joana Angélica entrou na empresa BTU também como rodomoça. Fazendo história na companhia, a assistente pessoal, que hoje trabalhada no setor pessoal da BTU, chegou à empresa em 1975. A partir daí foram diversos setores: contas, contabilidade, operações, quase nada escapa à dedicada funcionária. “Vi muitas mudanças no sistema de transporte e sempre para melhor. Não tínhamos tanto treinamento, não tínhamos setor de Recursos Humanos, etc.”, avalia a assistente. Hoje, Joana Angélica também enfatiza o papel positivo que as mulheres têm no dia a dia do transporte público em Salvador. “Trabalhar com mulheres é trabalhar em harmonia. Somos mais delicadas para tratar com os funcionários. Acredito que acrescentamos muito a uma empresa”, comenta Joana Angélica.

 No começo, nos seus tempos de rodomoça, Joana Angélica recorda que os motoristas ficaram um pouco desconfiados, já que não estavam acostumados a trabalhar com mulheres. Hoje, ela sabe que este problema está completamente resolvido. Ainda sobre esta época, a assistente pessoal relembra,

sorrindo, que as pessoas achavam diferente ter uma mulher trabalhando com ônibus e entravam e pagavam a passagem só para ver como eram estas rodomoças. “Começou assim, e a mulher hoje está tomando conta não só no sistema rodoviário”, acrescenta Joana Angélica.

  •  Líbia Lassi, diretora administrativa e financeira

 Quase 50% das cobradoras do grupo Expresso Vitória são mulheres. É com este dado interessante que Líbia Lassi começa seu depoimento, o que mostra que a dedicação e o empenho das mulheres no sistema de transporte têm conquistado todos os setores. A própria Líbia é a prova viva deste empenho e de conquista, já que ocupa um importante cargo na empresa: o de diretora administrativa e financeira da Expresso Vitória. A empresa tem cerca de 40% do seu quadro feminino e Líbia conta com orgulho que ali também tem motoristas de ônibus mulheres.

 “Temos uma valorização da mulher aqui na Expresso Vitória. Acho que é um profissional que vale a pena investir e aqui ela entra de igual para igual em qualquer profissão”, avalia a diretora. Líbia começou na empresa de ônibus como estagiária de informática e passados 24 anos não se

vê trabalhando com outra coisa. Para ela, o sistema de transporte mudou muito neste quarto de século. Líbia acredita que a própria informática trouxe muitos benefícios, como a minimização do tempo gasto para várias atividades que às vezes entravam pela noite para conseguirem ser finalizadas no mesmo dia.

Para a diretora, outra mudança positiva foi a forma como a Expresso Vitória começou a investir na qualidade de vida dos empregados, se preocupando muito mais com o funcionário. Hoje a empresa oferece atividades físicas como a ginástica laboral, o pilates e massagens e vê isto como uma forma de valorizar todos que estão ali dentro. “Quando você está investindo nos funcionários, está investindo na saúde da empresa”, justifica Líbia. Quando o assunto são as mulheres, Líbia acredita que as funcionárias ficam ainda mais satisfeitas, já que são vaidosas e abraçam mesmo todas as atividades oferecidas.

 E não são poucas. Além da parte física, tem também curso de inglês e convênios com faculdades. “Neste ponto, a mulher tem uma visão diferente. Ela quer crescer mesmo na profissão”, diz. Hoje, 24 anos após ter ingressado no sistema de transporte, Líbia sabe que houve uma mudança radical no papel da mulher na sociedade e resume: nós, as mulheres, somos mesmo multifocais.

  •  Letícia da Silva Correia. Motorista de ônibus

 De todos os cargos ocupados pela mulher no sistema de transporte, este é, sem dúvida, quase plenamente ocupado pelos homens. A história profissional de Letícia, motorista da Expresso Vitória, é uma história de superação, com momentos alegres, como o das pessoas que a cumprimentam por quebrar barreiras, mas também com momentos tristes como o de passageiros que já se negaram a subir no ônibus, porque uma mulher estava dirigindo.

 Hoje, a motorista pega às 4h40min da manhã na linha Estação Pirajá/Cajazeiras 8. “’É uma emoção que eu passo a cada dia. Porque eu pego aquele turno e sei que não vou encontrar nenhuma outra mulher no roteiro”, comenta Letícia. A motorista começou com ônibus de transporte escolar e teve no seu marido, também motorista de ônibus, um grande incentivador.

 Agora, Letícia está acostumada com a reação dos outros homens motoristas. Porém, no começo sofreu fechadas e piadinhas, e havia quem pensasse grosseiramente que ela deveria pilotar fogão. Preconceitos à parte, a felicidade de Letícia está em contar que seus filhos já a acompanharam nas viagens e adoram contar que a mãe dirige um ônibus nas ruas de Salvador. E foi do início da sua carreira que ela guarda a história mais comovente. Letícia socorreu um passageiro que pegava seu carro todos os dias e teve um infarto durante a viagem.

Ponto de Partida: Fidel Nuñez Knitel

postado por Aleile @ 12:19 PM
22 de junho de 2010

Em sua sabedoria, o imortal Dorival Caymmi nos ensinou que quem não gosta de samba é ruim da cabeça ou doente do pé. Com a devida licença, vamos um pouco mais adiante: aqui no Brasil, um país em que as crianças já nascem gritando gol, quem não gosta de futebol, também não deve ser lá muito sadio, não! E é com os olhos voltados para a África do Sul que apresentamos este segundo número da revista SALVADOR EM MOVIMENTO, uma vitoriosa parceria entre o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Salvador (Setps) e o jornal A TARDE.

Queremos aqui reafirmar nosso empenho para que Salvador seja confirmada como uma das sedes da Copa 2014. Afinal, uma das condições sine qua non da FIFA para o credenciamento das cidades é a garantia de mobilidade urbana – em bom português, os organizadores querem transporte público de qualidade e trânsito sem congestionamentos. Não por acaso, é exatamente o que estamos buscando, ao desenvolver, junto com as três esferas de governo, o projeto de construção de uma rede integrada de transporte, tendo como destaque o Bus Rapid Transit (BRT), uma espécie de metrô sobre pneus, que alia vantagens como alta capacidade e baixo custo de implantação.

Salvador ainda corre o risco de não se qualificar como sede da Copa de 2014. A pré-indicação obtida no ano  passado não representa um credenciamento definitivo. Quem acompanha a história das Copas sabe que, em 1950, a cidade ficou de fora do evento. Não podemos permitir a repetição do fiasco – desta vez por questões associadas à
mobilidade urbana.

A hora é esta. Que possamos buscar no exemplo de grandes empreendedores como o patriarca do Grupo Evangelista, o lendário ‘Seu Jonga’ – um dos destaques desta edição – a inspiração para continuarmos sempre investindo no crescimento do setor.

A Copa de 2014 é só o pontapé inicial de uma partida que está começando. Afinal, investir na requalificação de uma cidade e no bem-estar de toda uma comunidade é uma meta a ser perseguida incansavelmente. Iniciamos a contagem regressiva para a Copa do Mundo no Brasil, mas o jogo já começou.

BRT, Que é isso?

postado por Aleile @ 12:14 PM
22 de junho de 2010

As letras que compõem a sigla BRT são as iniciais da nominação inglesa Bus Rapid Transit, que, literalmente, significa: ônibus que circula rapidamente. Numa tradução mais livre e oportuna, o BRT é um sistema urbano de ônibus espaçosos, bi ou triarticulados, que trafegam em corredores exclusivos e interligados. Trata-se, de fato, de uma moderna modalidade de transporte de massa, em operação em mais de 120 grandes cidades do planeta com resultados mais que satisfatórios e aprovação da população usuária. São veículos de grande capacidade, com 160 a 270 lugares, portas duplas e largas à esquerda e direita. Além disso, a cobrança prévia da passagem é feita em guichês externos. O BRT circula em canaletas e faz paradas em estações com piso elevado, garantindo e facilitando o acesso a todos – inclusive cadeirantes, idosos e crianças.

Tudo isso torna o BRT rápido, eficiente, confortável e seguro. É o sistema em operação na cidade de Curitiba, tida como uma das mais modernas e bem resolvidas do País. Em Bogotá, ele tem o nome de Transmilênio. É chamado de Macrobus em Guadalajara, no México; já funciona em Londres, em oito grandes cidades da China e foi implantado mais recentemente na África do Sul, em função da Copa do Mundo de futebol.

Lá, o sistema se chama Rea Vaya (estamos indo, no idioma zulu, um dos 11 oficiais da África do Sul). Os  BRTs percorrem em 20 minutos os cerca de 30 km que ligam o populoso bairro negro de Soweto ao centro de Joanesburgo. O Rea Vaya passa pelos estádios Soccer City e o Ellis Park.



Grupo A TARDE

empresas do grupo

jornal a tarde | a tarde online | a tarde fm | agência a tarde | serviços gráficos | mobi a tarde | avance telecom

iniciativas do grupo a tarde educação | a tarde social


Rua Prof. Milton Cayres de Brito n° 204 - Caminho das Árvores - Salvador/BA, CEP-41820570. Tel.: 71 3340-8500 - Redação: 71 3340-8800


Copyright © 1997 - 2010 Grupo A TARDE Todos os direitos reservados.